segunda-feira, 03/07/2017

CARIDADE

Geraldo Campetti Sobrinho

(geraldocampetti@gmail.com)

Fiquei pensando sobre esse tema caridade. Ele é tão comentado, estudado e já existem tantas informações publicadas… E mais: como posso falar sobre caridade se não sou caridoso?!

Aí, bati um papo com uma pessoa em quem confio que me lembrou algo importante. Ela disse: “Se ainda não somos caridosos, a gente devia escrever sobre como ‘deveria ser se já fosse.” Entendeu?!

Ah (?!), acho que entendi o recado. É tipo assim: se ainda não pratico o bem que deveria, preciso aprender sobre ele, falar, estudar, sentir e me esforçar por vivê-lo no dia a dia. Tá aí! É uma maneira de não me deixar esquecer o lance que já deveria ser um hábito pra mim, mas que ainda parece estar longe de ser. Então, preciso pensar, falar, estudar e sentir, pra ver se não esqueço de colocar o bem na minha agenda diária.

A caridade é simplesmente o nosso caminho para a felicidade. Em O evangelho segundo o espiritismo, o capítulo 15 inteiro é dedicado ao assunto. O título é instigante: Fora da caridade não há salvação. Pronto, tô perdido! Se não for caridoso, tô lascado, vou ser condenado. Ai, meu Deus, e agora?!

É, de fato, o toque não deixa dúvida. O Evangelho chama a atenção para a principal virtude ensinada e vivida por Jesus: a tal da caridade. Chegamos à conclusão, pela leitura do texto evangélico, que fora da prática do bem não há felicidade.

E, praticar o bem, a indulgência e o perdão (o famoso BIP 886) exige um pouco de esforço de todos nós, mas não é impossível para ninguém. Ou seja, se a gente quiser e se predispuser, daremos conta do recado. Bora tentar?!

*

Apenas pra lembrar, não é que a gente não saiba, mas, só por segurança, segue aqui o tal do BIP 886, lá do Livro dos espíritos.

  1. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

 “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.

*

Ah, e a dica do Evangelho pra gente também não se esquecer, lá do capítulo 15, item 3:

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas duas virtudes como as que conduzem à eterna felicidade: “Bem-aventurados”, disse, “os pobres de espírito”, isto é, “os humildes, porque deles é o Reino dos Céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros.” Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, Ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

Artigo publicado na Voz da Mocidade: Juventude e Espiritismo. Grupo Espírita Casa do Caminho, Guará II, DF, Ed. 9, jun. 2017.

SOBRE O AUTOR

Geraldo Campetti Sobrinho

Geraldo Campetti Sobrinho é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Coordenador da FEB Editora, responsável pela Biblioteca de Obras Raras e Museu da Federação. É apresentador dos programas Livros que Iluminam e Entre dois mundos: uma visão espírita da realidade, da FEBtv.

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