quinta-feira, 12/01/2017

Parábolas das Bodas

Sob a forma de alegorias, a Parábola das Bodas, também conhecida como O Festim das Bodas, Jesus nos transmite ensinamentos necessários ao nosso processo ascensional. O registro de Mateus, é o que se segue.

O Reino dos Céus se assemelha a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho. E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir.

Depois, enviou outros servos, dizendo: eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas.

Porém, eles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, e outro para o seu negócio; e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.

E o rei, tendo notícias disso, encolerizou-se cólera e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.

Então, disse aos servos:

As bodas, na verdade estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas a todos os que encontrardes.

E os  servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quanto encontraram, tanto maus quanto os bons; e a festa  nupcial  ficou cheia de convidados.

E o rei, entrando para ver os convidados, viu um homem que não estava trajado com veste nupcial. E disse-lhe:  Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.

Disse então,  o rei, aos servos: amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. (Mateus 22:1-14)

O “reino dos céus” representa o estado evolutivo superior do Espírito. “Bodas” indicam união, aliança. O “rei ”é Deus, o Pai e Criador. O “ filho” para quem as bodas são preparadas é Jesus. Os “servos” são os enviados do Criador, os guardiões planetários. “Outros servos” são guardiães de outra categoria, mais aptos  a lidar com diferentes diversidades culturais —processo análogo ao ocorrido com o apóstolo Paulo na execução da sua missão junto aos gentios. As “iguarias do banquete” indicam as lições do Evangelho. O “campo” e o “negócio ” são os interesses imediatos dos indivíduos. O “ultraje ” e o “homicídio ” indicam a categoria de Espíritos inferiores, que  cometem crimes e atentados graves, se contrariados. “Veste nupcial” representa a sinceridade espiritual, ou desprendimento das coisas materiais, condição necessária para fazer a aliança com Jesus. “Trevas e ranger de dentes ”são simbolismo que indicam as reencarnações difíceis, decorrentes das más escolhas feitas pelo reencarnante. São marcadas por dolorosas provações.

A essência das lições que a parábola transmite pode ser resumida em duas ordens de ideias:  a) destinação do homem à  suprema felicidade, simbolizada na expressão reino dos céus; b) condições para alcançar a perfeição espiritual (ou alcançar o reino dos céus)

Como legado divino, todo ser humano tem direito à felicidade. Faz-se necessário, porém, que ele trabalhe para conquistar o estado de bem-aventurança, aproveitando com sabedoria as bênçãos divinas que lhe chegam cotidianamente. O home foi criado para ser feliz, mas não se trata  de uma concessão divina, pura e simples. A aquisição resulta do esforço individual e coletivo de ascender a planos mais elevados da vida.

Na parábola, o chamamento para alcançar o reino dos céus foi dirigido, primeiramente,  a um grupo de convidados que já demonstravam  possuir condições intelectuais e morais para alçar outro patamar evolutivo, participando-se de um acordo pré-estabelecido de participar da união com o cristo, ora  representado pela festa das bodas. Somente assim, vivenciando a Lei de Amor, ensinada pelo Evangelho, a criatura humana poderia (e pode) ser mais feliz. Estes  convidados para as núpcias detinham condições propícias para difundir e viver a mensagem do  Evangelho,  em razão dos seus aprendizados e experiências. Contudo, desatentos quanto a importância do convite, se mostraram presos aos interesses imediatistas, recusando participação no banquete. Alguns agiram até com violência, ferindo ou matando os emissários, representados pelos servos.

Os convidados do segundo grupo não possuíam, possivelmente, a experiência do grupo anterior. Revelavam propensão para o Bem que,  com a devida educação, observação e capacidade de exercitar os  bons exemplos, poderiam se unir ao Cristo,  pela vivência do Evangelho. Os emissários deste grupo sabiam quais pessoas deveriam ser convidadas, quais Espíritos possuíam traços morais suficientes para trabalharem junto com Jesus e por Jesus.

As condições para alcançar o reino dos céus não se restringem ao convite, sabemos disto. O convite é apenas uma oportunidade que surge, aparentemente como se fosse obra do  acaso, muitas vezes.. O convidado deste grupo  deveria mostrar que possuía algo mais que a simples boa vontade: firmeza e retidão de caráter; humildade; espírito de sacrifício; bondade; amor ao próximo, etc. Tais aspectos simbolizam o traje nupcial.  Seria o convidado que aprendeu, de alguma forma, a distinguir o bem do mal, independentemente do seu nível social e intelectual. Seus pensamentos, palavras e ações já se revestem de utilidade e harmonia.

São Espíritos que aprendem, com esforço,  perseverança e humildade, por em prática a Lei de Amor, Justiça e Caridade. Compreendem que com a vivência do Amor e da Caridade, a pessoa  segue estes princípios: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”1 Pela prática da justiça, respeita os direitos dos outros1, medindo as suas ações pelo crivo desta sentença do Cristo, conhecida como a Regra de Ouro: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhe também vós, porque esta é a lei e os profetas.”(Mateus, 7:12)

O conviva que aparece na festa das bodas sem o traje nupcial é uma representação clara dos falsos profetas. Os que falam no Bem, muitas vezes com eloquência e grande poder de convencimento.  Meras palavras que não encontram ecos nas suas ações. O falso profeta tem apenas aparência do bem, mas não é verdadeiramente bom. São pessoas oportunistas, bajuladoras, que não têm o menor escrúpulo em traficar a fé, se são religiosos, ou realizar negócios escusos,  tudo fazendo para ter posição de destaque. Jesus nos alerta a respeito deles: “Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelhas e que por dentro são lobos rapaces. Conhecê-lo-eis pelos frutos. ” (Mateus, 7:15.-16)

Os falsos profetas, religiosos ou não, serão reconhecidos, cedo ou tarde. Quando isto acontecer serão lançados às duras provações das reencarnações, aprendendo a desenvolver virtudes, adiando para outra oportunidade,  a participação no banquete das núpcias, agora revestido da túnica nupcial , a envergada pelo trabalhador fiel do Evangelho.

Referências Bibliográficas 

  1. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Evandro Noleto Bezerra. 4 ed. 1 , p. 375imp. Brasília: FEB, 2013. Q. 886, p. 379.
  2. Q. 875, p. 375.

SOBRE O AUTOR

Marta Antunes de Moura

Marta Antunes Moura, coordenadora das Comissões Regionais na área da Mediunidade da Federação Espírita Brasileira (FEB), Vice-presidente da FEB.

COLUNA ESPÍRITA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS




FEB EDITORA

BOLETIM EDITORIAL

BOLETIM INSTITUCIONAL

REVISTA REFORMADOR

Revista que aborda temas relacionados com Ciência, Filosofia e Religião à luz do Espiritismo e com o Movimento Espírita brasileiro e o internacional.

ASSINE