terça-feira, 16/05/2017

COMO SE LIBERTAR DO SOFRIMENTO

Geraldo Campetti Sobrinho
geraldocampetti@gmail.com

A valiosa contribuição psicográfica do Apóstolo do Bem, Divaldo Franco, rendeu frutos sazonados com a produção de esclarecedores textos de natureza psicológica redigidos pela Veneranda Joanna de Ângelis.
São 16 volumes que integram a denominada Série Psicológica, iniciando-se com o tocante Jesus e a atualidade e culminando com o expressivo Psicologia da gratidão.
O primeiro consiste na apresentação de vinte situações com ocorrências do cotidiano que aturdem a civilização, envolvendo amor, tolerância, justiça, dever, alegria, coragem, decisão, responsabilidade, posses, insegurança, sofrimentos, entre outros assuntos, buscando respostas da conduta humana na terapia de Jesus.
O segundo exalta a gratidão como roteiro de segurança a ser vivenciada em todos os momentos da existência corporal, como um estado interior que resulta em alegria e paz.
Dentre esses mananciais de esclarecimento e consolo, há o segundo volume da série, cujo instigante título é O homem integral. Esta obra considera o grave momento por que passa a Humanidade, e faz um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica, procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no equilíbrio e no amadurecimento emocional, com vistas à sua renovação e aquisição de saúde psicológica, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem Integral de todos os tempos, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição do ser mais perfeito de que se tem notícia.
O homem integral esclarece que o Espiritismo, sintetizando diversas correntes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir.
É justamente nesse livro extraordinário que Joanna de Ângelis apresenta uma terapia liberativa do sofrimento. Em sua didática e sabedoria, a Mentora elenca quatro passos, constitutivos do caminho libertador, apresentados a seguir resumidamente:

1) Considerar todos os indivíduos como dignos de serem amados.
2) Identificar e estimular os traços de bondade do caráter alheio.
3) Aplicar a compaixão quando agredido.
4) O amor deve ser uma constante na existência do homem.

Vejamos como são conexas as etapas propostas por Joanna. Retornemos um pouco e leiamos os itens 1 e 4 e, depois, os itens 2 e 3.
Para se libertar do sofrimento é preciso amar. Todas as pessoas são dignas de serem amadas, apenas para nos referirmos ao ser humano em suas relações interpessoais. Para nossa felicidade, o amor deve estar presente em nossa vida. Todos somos irmãos, deveríamos constituir uma só família espiritual, pois somos filhos de um mesmo Pai, criaturas de um mesmo Criador. Enxergar o outro com respeito é sentir que o amor pleiteado a nosso favor é o amor que precisamos distribuir ao semelhante, sem preconceitos e em consonância com o entendimento das diferenças que caracterizam a manifestação das individualidades.
Vários sofrimentos são gerados por ideias preconcebidas ou por fazermos mau juízo do próximo, enxergando nele posturas inadequadas ou incomodativas, considerando que entendemos a realidade de modo distinto. A Mentora recomenda identificarmos e estimularmos os traços de bondade do caráter alheio, auxiliando-o em seu processo evolutivo. Todos, como seres divinos, trazemos latentes na intimidade do ser o deus interno, a consciência na qual está registrada a lei de Deus, a nos possibilitar a distinção entre o certo e o errado, o bem e o mal. Assim, é preciso enxergar o lado bom das pessoas, para o nosso próprio bem. Quando vemos só o que é ruim, sofremos. Tornamo-nos pessimistas, negativos, amargos… Porém, quando nos predispomos a visualizar o mundo com lentes corretivas que nos facilitam enxergar o belo, o bom e o útil, erradicamos de nossa mente o sofrimento e nos sentimos felizes.
A compaixão como saudável exercício para com aqueles que nos ofendem, magoam, ferem, prejudicam, é também terapia libertadora do sofrimento. É preciso ser compassivo quando agredido. Jesus recomendou que revidássemos o mal recebido com o bem ativo que já trazemos no coração. Em O evangelho segundo o espiritismo, em seu capítulo 17, item 10, quando trata de O homem no mundo, Allan Kardec compila a significativa recomendação: “Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração dos que se reúnem sob as vistas do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos.” Aplicar a piedade para com quem convivemos e que, direta ou indiretamente, nos atingem na sua maneira de agir e pensar, manifestando a existência de naturais diferenças de posturas e comportamentos, é atitude virtuosa dos que se candidatam à conquista do Reino dos Céus por seus méritos próprios. Somos indivíduos. Emmanuel, o guia espiritual de Chico Xavier, ensina-nos que Deus não cria duplicatas, apenas originais. Por isso, embora semelhantes, posto que irmãos, somos também diferentes em características a revelarem a personalidade que retrata nosso modo de ser em determinada encarnação ou existência física.
A melhor terapia para a libertação do sofrimento e conquista da felicidade é o exercício do amor a Deus, do amor ao próximo e do amor a nós mesmos no cotidiano de nossas vidas.

Artigo publicado na Tribuna Espírita, ano 36, n. 196, mar./abr. 2017.

SOBRE O AUTOR

Geraldo Campetti Sobrinho

Geraldo Campetti Sobrinho é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Coordenador da FEB Editora, responsável pela Biblioteca de Obras Raras e Museu da Federação. É apresentador dos programas Livros que Iluminam, da FEBtv, e Entre dois mundos: uma visão espírita da realidade, exibido pela Rede Brasil de Televisão.

COLUNA ESPÍRITA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS




FEB EDITORA

BOLETIM EDITORIAL

BOLETIM INSTITUCIONAL

REVISTA REFORMADOR

Revista que aborda temas relacionados com Ciência, Filosofia e Religião à luz do Espiritismo e com o Movimento Espírita brasileiro e o internacional.

ASSINE