quinta-feira, 21/06/2012

Décadas de 30 a 50

O espaço de tempo ocupado pelos anos de 1930 a 1950 tem especial significação na vida da Instituição. Crescera o Movimento Espírita com a fundação de inúmeros Centros espalhados por todo o território nacional. Alguns jornais e revistas faziam a divulgação, secundando o trabalho nas tribunas das casas espíritas.

Desde 1891 cogitara-se da ideia de montagem de uma oficina para a impressão deReformador e de obras de propaganda. Passavam-se os anos e a ideia era acalentada, e adiada por falta de recursos.

Guillon Ribeiro, presidente eleito novamente em 1930, reviveu o projeto e transformou-o em realidade. Em 4 de novembro de 1939 estava instalada pequena gráfica no térreo da Avenida Passos, 30, fundos, passando a editar livros e o mensário da Casa.

A obra de Guillon Ribeiro marcou profundamente a vida da Federação. Presidente no ano de 1920 a 1921, seu segundo mandato durou de 1930 a 1943, em sucessivas reeleições. Ocupou praticamente todos os cargos da direção, antes de 1930. Como Diretor de Reformador, todos os serviços da revista passavam por suas mãos. Suas traduções das obras da Codificação tornaram-se definitivas na FEB, pela segurança e confiança inspiradas, contando-se hoje por milhões de exemplares, em sucessivas reedições. Grande conhecedor da língua francesa, sabendo igualmente o inglês, o italiano e o espanhol, seu trabalho prima pela fidelidade ao pensamento original e pela beleza da forma no vernáculo, o que lhe dá primazia incontestada entre os demais tradutores.

Foi em sua gestão que começaram a ser editados os livros de Francisco Cândido Xavier, o primeiro dos quais, Parnaso de Além-Túmulo, em 1932, causou verdadeiro impacto nos meios culturais brasileiros. Essa obra poética, que confundiu os céticos e agraciou os adeptos ao Espiritismo, seria apenas o prelúdio de uma torrente imensa vazando da Espiritualidade para os homens, a lhes reafirmar a chegada dos tempos.

Pela mediunidade de Chico Xavier vieram à luz, nessa fase, as obras de Emmanuel A Caminho da Luz, síntese histórica da Terra; Emmanuel”, ensaio sociológico; os romances históricos Há dois Mil Anos, 50 Anos Depois e Paulo e EstevãoConsolador; a série Caminho, Verdade e VidaPão NossoVinha de Luz e Fonte Viva (1956), além de diversos outros livros edificantes.

A partir de 1943, com Nosso Lar, novo autor espiritual se apresenta pelo médium de Pedro Leopoldo, marcando uma nova fase com suas revelações da vida, com seus pormenores das esferas espirituais próximas à Crosta Planetária: André Luiz. A série de seus livros — Nosso LarOs Mensageiros, Missionários da Luz, Obreiros da Vida Eterna, No Mundo Maior, Libertação, Ação e Reação, Evolução em dois Mundos e outros — caracteriza-se pela originalidade, despertando enorme interesse no espírito dos estudiosos.

A grande demanda de livros espíritas indicava claramente a expansão do Movimento. Guillon Ribeiro, grande colaborador, retornava à Pátria Espiritual em 1943. Sucecedeu-o na presidência Antônio Wantuil de Freitas, que já vinha colaborando na administração de Guillon há cerca de 10 anos.  Pelo que ficara acordado inicialmente entre os responsáveis pela direção da Casa, Wantuil de Freitas deveria servir no cargo apenas pelo período de um ano. Entretanto, reconduzido sucessivas vezes, presidiu a Casa de Ismael durante 27 anos, o mais longo período presidencial em toda a vida da Instituição. Deve-se a Wantuil de Freitas, com seu largo tirocínio administrativo e impressionante intuição dos acontecimentos futuros, a sólida estrutura montada na FEB para servir à Doutrina e ao Movimento.

Compreendendo que a Espiritualidade realizava sua parte, lançou-se à tarefa de dotar a FEB de uma editora à altura das necessidades. Ajudado por uns poucos companheiros, conseguiu instalar o Departamento Editorial, em 1948, com a aquisição, em 1946, no bairro de São Cristóvão, de velhas casas que fez demolir para a construção, numa primeira etapa, de amplo edifício. Novas construções inauguradas em 1961 e 1968, na Rua Figueira de Melo e na Rua Souza Valente, complementaram a grande oficina de trabalho agora funcionando com duas entradas: Rua Figueira de Melo, 410 e Rua Souza Valente, 17, constituindo hoje a sede do Departamento Gráfico e de parte do Departamento Editorial. O planejamento e estrutura desses dois Departamentos, com previsão de futura expansão, devem ser creditados ao esforço e à visão do presidente Wantuil de Freitas, que superou obstáculos sem conta para levar avante sua missão.