quinta-feira, 21/06/2012

Início do Século XX

Grandes realizações caracterizam esse período. Em 1901 procedeu-se à revisão nos Estatutos, com inovações de alto interesse, destacando-se a reorganização da Assistência aos Necessitados e os dispositivos referentes à filiação das instituições espíritas de todo o Brasil, com vistas à unificação, sob a forma federativa, plenamente aprovada, na prática. Definiu-se, desde então, o significado da unificação, com vistas à união solidária e fraterna, sem prejuízo da autonomia individual, administrativa e patrimonial das entidades adesas.

A 3 de outubro de 1904 transcorreria o centenário do nascimento do Codificador do Espiritismo. Os espíritas de todo o mundo comemorariam de alguma forma aquela data.Reformador lançou, com muita antecedência, a ideia de reunir no Rio de Janeiro os representantes dos centros e sociedades espíritas de todos os Estados, em homenagem ao missionário.

O convite foi bem recebido. A Federação organizou programa de três dias, compreendendo conferências, encontros fraternais, inauguração de cursos, encerrando-se a jornada com sessão solene, na noite de 3 de outubro, no salão da Associação dos Empregados do Comércio, reunindo multidão de cerca de 2.000 pessoas. Nesse encontro de âmbito nacional, de significativa importância, fïzeram-se representar os espiritistas dos Estados do Amazonas, Alagoas, Bahia, Espírito
Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além das Casas Espíritas da Capital Federal.

O ponto mais importante foi a apreciação e aprovação das “Bases de Organizarão Espírita”, documento que passou a orientar a marcha do movimento espiritista no nosso País. Preconizaram as “Bases” a criação de uma Instituição na Capital de cada Estado brasileiro, a qual ficaria incumbida de filiar os Centros e Associações estaduais, formando assim, com a FEB, uma rede de entidades fortalecidas na solidariedade e na fraternidade.

Instituíram um programa doutrinário básico, semelhante ao da Federação, com  fulcro nas obras O Livro dos Espíritos, e O Livro dos Médiuns, facultando-se o estudo dos Evangelhos, segundo a tendência de cada entidade, pela obra O Evangelho segundo  o Espiritismo ou Os Quatro Evangelhos. Recomendaram ainda a fundação de escolas de médiuns, objetivando o preparo dos médiuns por meio do estudo doutrinário, a criação de caixas de socorro, semelhantes à Assistência aos Necessitados, serviços de curas espíritas através de receituário homeopático, aulas de instrução elementar e secundária e outras providências.

Pelo simples enunciado do conteúdo desse importante documento percerbe-se sua importância. Naquilo que contém de essencial, ao traçar diretrizes para todo o Movimento Espírita, ele ainda subsiste em nossos dias, de vez que foi incorporado aos Estatutos da Federação Espírita Brasileira e no denominado “Pacto Áureo”, item 2º”.