quarta-feira, 13/09/2017

Diálogo e interação entre as religiões

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) está fazendo uma série de entrevistas com autoridades religiosas e pessoas engajadas no mundo ecumênico/religioso. Os temas abordados nessas entrevistas versarão sobre pluralismo religioso, a importância do diálogo, interação entre as religiões e assuntos afins.

 O objetivo da série é ouvir o que essas pessoas têm a dizer e, assim, fomentar o debate. Nosso quinto entrevistado é o vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Geraldo Campetti. Confira:

1) O Brasil é um país onde diversas religiões convivem, até certo ponto, de forma pacífica. Como avalia isso?

 Avalio de forma positiva, pois o direito à liberdade de crença é um instituto prescrito na própria Constituição. Todas as religiões, de modo geral, pregam o amor e o respeito ao semelhante. Não há motivos racionais para que divergências de cunho doutrinário sejam alavanca para “guerras” veladas ou explícitas entre as diferentes manifestações religiosas. As diferentes religiões têm a obrigação de exemplificar a paz no comportamento de seus adeptos.

2) Na sua opinião, qual a importância do diálogo entre as religiões?

 O diálogo é fundamental, pois representa o caminho do entendimento. É compreensível que abordagens específicas tenham conotações distintas na interpretação de um segmento religioso para outro. Isso ocorre até entre a mesma religião, quando esta se desdobra em “facções” ou tendências ortodoxas ou liberais. De qualquer forma, o que nunca pode deixar de existir é o respeito ao direito do outro pensar com sua própria consciência. Essa liberdade lhe é inalienável ou inexpugnável, pois, aprendemos que, para a convivência social harmônica nas relações sociais, “nossa liberdade se encerra quando começa a do outro”. Vale dizer, não temos o direito de interferir, muito menos, violar a livre manifestação do semelhante.

 O diálogo é a via da fraternidade, da união e da solidariedade. Todos devemos nos unir para que o bem seja mais difundido entre os rincões de nosso planeta.

3) De que maneira os representantes da fé espírita têm promovido esse diálogo?

 Pelo próprio exemplo de vida, na vivência do amor e na exemplificação do entendimento entre todos. Entendemos a importância do conceito de “inclusão”, na erradicação de preconceitos, fanatismos e intolerâncias, que atuam no sentido da “exclusão” dos diferentes, incomuns ou das minorias. Jesus Cristo nunca deixou de atender a nenhum necessitado e afirmou que “não eram os sãos que precisavam de médico”. Somos todos carentes do amor de Jesus e precisamos nos fazer dignos desse amparo pela nossa própria reforma íntima e renovação moral. Atuamos sem preconceito, respeitando a diversidade e valorizando-a como recurso indispensável para o atendimento aos inúmeros interesses e necessidades das pessoas e dos povos.

4) Pra você, qual o melhor antídoto contra a intolerância religiosa?

O amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Tal o ensinamento de Jesus. A prática da verdadeira caridade, como o Mestre a entendia, traduzida na benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições alheias e no perdão das ofensas é a nossa rota mais segura para a relação harmônica entre as diversas religiões, todas respeitáveis em seus princípios de difundir o bem, tornando o homem cada vez melhor moralmente.

5) Um mundo de paz, onde todos respeitam a opção religiosa do outro, é possível?

 É possível e, não obstante tantos dissabores na trajetória terrena, temos expectativa e certeza na vida futura, na qual poderemos vislumbrar um mundo melhor, uma habitação de paz e de união entre os diferentes credos religiosos. Porém, é necessário reconhecer que a paz do mundo começa dentro do coração de cada um de nós. A receita infalível para a paz não pode dispensar três ingredientes: o diálogo, a flexibilidade e o amor.

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Disponível em: <https://www.conic.org.br/portal/noticias-mobile/397-entrevista-dialogando-com-o-espiritismo>. Acesso em: 11 set. 2017.

SOBRE O AUTOR

Geraldo Campetti Sobrinho

Geraldo Campetti Sobrinho é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Coordenador da FEB Editora, responsável pela Biblioteca de Obras Raras e Museu da Federação. É apresentador dos programas Livros que Iluminam e Entre dois mundos: uma visão espírita da realidade, da FEBtv.

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