sexta-feira, 22/06/2012

Laboratório de Allan Kardec

O grande sucesso de O Livro dos Espíritos, lançado em Paris no dia 18 de abril de 1857, tirou do anonimato o missionário encarregado pela Providência Divina de materializar entre os homens a promessa de Jesus de ficar eternamente conosco.

É possível que o próprio Allan Kardec se tivesse surpreendido com a extraordinária repercussão causada por aquele livrinho de apenas 176 páginas, cujo texto, distribuído em duas colunas e dividido em 24 capítulos, continha 501 perguntas e respostas, acrescidas das notas com que o Codificador as enriqueceu. As razões do sucesso? O fato de “todas as grandes questões de metafísica e de moral ali estarem elucidadas da maneira mais satisfatória; todos os grandes problemas resolvidos, mesmo aqueles que os mais ilustres filósofos não puderam resolver.” 1

É natural, portanto, que o êxito suscitado pela divulgação das idéias novas provocasse uma enxurrada de cartas dirigidas a Kardec, a maioria interrogando o Codificador sobre este ou aquele ponto de doutrina, embora algumas lhe relatassem os insólitos fenômenos espíritas que despontavam em toda parte, exigindo a sua explicação. E, como se não bastasse, o fluxo crescente de visitantes que acorriam à sua casa, inclusive da nobreza local e estrangeira, ansiando por esclarecimentos mais substanciais.

A princípio reticentes, os jornais parisienses começaram a veicular artigos furibundos, verdadeiras diatribes contra a doutrina nascente, não poupando sequer a honra e a vida privada do Codificador, demonstrando, em sua maior parte, completa ignorância dos  postulados espíritas contra os quais se rebelavam. É que vislumbravam uma nova ordem de coisas, capaz, quem sabe, de fazer desmoronar o pedestal em que se entronizavam. Como Jesus, o Espiritismo vinha proclamar uma doutrina que solapava pela base os abusos de que viviam os fariseus, os escribas e os sacerdotes de seu tempo.Assim, importava silenciá-lo o quanto antes no seu nascedouro, antes que se propagasse e conquistasse a preferência da população, já cansada das religiões dogmáticas.

Naquela época, a Europa só dispunha de um único jornal dedicado à divulgação do Espiritismo, e mesmo assim em Genebra, longe do burburinho de Paris e praticamente fora do alcance dos leitores da cidade-luz, contrariamente ao que ocorria nos Estados Unidos, favorecidos com dezessete jornais consagrados ao espiritualismo.

Foi quando Allan Kardec se deu conta da

[…] imperiosa necessidade de criar uma folha que periodicamente pusesse os estudiosos dos fenômenos espíritas a par do que se passava no mundo e os instruísse de modo ordenado sobre as mais variadas questões doutrinárias […], a despeito de lhe faltar o tempo necessário para semelhante empreendimento, considerando-se os seus afazeres pessoais, inclusive os voltados para a sua própria subsistência. 2

A tarefa não era fácil e implicava gastos de certa gravidade. A princípio Kardec procurou alguém que pudesse patrocinar a obra, colaborando financeiramente para que ela viesse à luz, mas razões providenciais fizeram com que não lograsse o êxito desejado. Mesmo assim, diz ele,

[…] apressei-me a redigir o primeiro número e fi-lo circular a 1o de janeiro de 1858, sem haver dito nada a quem quer que fosse. Não tinha um único assinante e nenhum fornecedor de fundos. Publiquei-o correndo eu, exclusivamente, todos os riscos e não tive de que me arrepender, porquanto o resultado ultrapassou a minha expectativa. A partir daquela data, os números se sucederam sem interrupção e […] esse jornal se tornou um poderoso auxiliar meu. 3

Logo na introdução do primeiro fascículo da Revista Espírita, Allan Kardec estabeleceu claramente as diretrizes que norteariam sua atuação à frente daquele periódico:

Como nosso fim é chegar à verdade, acolheremos todas as observações que nos forem dirigidas e tentaremos, tanto quanto no-lo permita o estado dos conhecimentos adquiridos, dirimir as dúvidas e esclarecer os pontos ainda obscuros. Nossa Revista será, assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das normas da mais estrita conveniência. Numa palavra: discutiremos, mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem nunca foram boas razões aos olhos das pessoas sensatas.4

Do ponto de vista da apresentação, a Revista Espírita:

[…] manteve as características das publicações científicas; circulava entre subscritores e a venda pública, semelhante às suas congêneres do século XIX, era facultativa dos livreiros e dos escritórios postais. Impressa em papeljornal, contava com 32 páginas, caderninhos de duas colunas em oitava; seu tamanho era de 23,5 x 15 cm, com peso estimado em trinta gramas. As páginas estavam compostas por quarenta linhas impressas em corpo doze; sua apresentação era rústica, com capas de papel.5

No final de cada ano os fascículos correspondentes eram reunidos, formando uma coleção de exemplares encadernados, com uma capa especial e um índice alfabético. É da responsabilidade direta de Allan Kardec a publicação de todos os fascículos, desde o primeiro, que circulou em 1o de janeiro de 1858, até o que foi dado a lume em abril de 1869, uma vez que já se achava composto quando da desencarnação do mestre, ocorrida no mês anterior. Isto não significa que a tenha redigido sozinho, pois

[…] a Revista contou com a colaboração de centenas de participantes, encarnados e desencarnados, franceses e de outras nações, dentre os quais cientistas, literatos, filósofos, religiosos e homens do povo, cada qual ajudando a lançar, na sua respectiva esfera de ação, os alicerces sobre os quais se ergueria o portentoso edifício do Espiritismo.6

Quando lançou a Revista Espírita, em 1858, Allan Kardec ainda tinha pela frente a publicação de O que é o Espiritismo (1859), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868). Ainda estariam por ser lançados alguns opúsculos: O Espiritismo na sua expressão mais simples (1862), Viagem Espírita em 1862 (1862), Resumo da lei dos fenômenos espíritas (1864), Caracteres da Revelação Espírita (1868), sem falar da Instrução prática das manifestações espíritas (1858), livro de maior porte, substituído três anos mais tarde por O Livro dos Médiuns, muito mais abrangente e metódico. Era todo um campo a pesquisar, idéias a desenvolver e a amadurecer, conceitos a serem validados pelo critério infalível da concordância e da universalidade do ensino dos Espíritos, antes de serem incorporados ao patrimônio da Doutrina Espírita. Havia, pois, necessidade de um laboratório experimental, onde tudo isto pudesse ser testado com segurança, sem açodamento.

Ora, a Revista Espírita foi esse laboratório inestimável, espécie de tribuna livre, utilizada por Allan Kardec para sondar a reação dos homens e a impressão dos Espíritos acerca de determinados assuntos, ainda hipotéticos ou mal compreendidos, enquanto lhes aguardava a confirmação. E tanto isto é verdade que a maioria das idéias desenvolvidas nas obras da Codificação foram esboçadas previamente na Revista Espírita, e até mesmo transcritas literalmente, sobretudo em O Céu e o Inferno e em A Gênese.

É importante que se tenha em mente que a Revista Espírita é uma obra subsidiária, complementar da Doutrina Espírita e, como tal, deve ser lida com espírito crítico, especialmente no que concerne a certas teorias científicas e a algumas opiniões isoladas, de caráter filosófico. Sua moral é inatacável; porque baseada na do Cristo, não suscita dupla interpretação, por:

[…] ser terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais constituiu matéria das disputas religiosas, que sempre e por toda a parte se originaram das questões dogmáticas.7

Pelas próprias características em que se apresentava – Jornal de Estudos Psicológicos – pelos assuntos abordados, riquíssimos em fatos da fenomenologia mediúnica, e pela possibilidade das réplicas e tréplicas a que seus artigos davam margem, o estilo da Revista Espírita é, necessariamente, leve e agradável, vazado em linguagem simples e acessível aos não iniciados, apresentando as matérias de forma clara e objetiva, sem tergiversações de qualquer natureza. Enfim, aquele mesmo estilo que tanto apreciamos nas obras básicas da Codificação Espírita, capaz de agradar a todas as camadas da sociedade, desde a gente simples que trabalhava nas oficinas suburbanas, até os intelectuais mais exigentes da aristocracia parisiense.

A bem da verdade, a Revista Espírita não tinha um padrão editorial claramente definido. Em outras palavras, suas seções eram muito variadas e por vezes sofriam solução de continuidade. Entretanto, não é difícil perceber certa uniformidade na temática abordada nos diferentes fascículos, notadamente os relacionados com os ditados mediúnicos, as conversas familiares de além-túmulo, as dissertações espíritas, as evocações particulares e as notas bibliográficas, praticamente comuns a todos eles. As poesias mediúnicas também mereceram generosa acolhida na Revista, não tanto pelo seu valor doutrinário, mas como prova de que os médiuns, mesmo os menos instruídos, eram capazes de receber, de um jacto, produções de grande fôlego, com perfeita observância das regras da versificação, e que em nada desmereciam as ilustres personagens que as assinaram.

Como se tratava de um periódico mensal, muitas vezes Allan Kardec transcrevia artigos e notícias de jornais, nacionais e estrangeiros, sobre os mais variados assuntos, desenvolvendo-os e correlacionando-os com os postulados espíritas. Isto emprestava à Revista um caráter de perene atualidade, identificando-a com os problemas e as preocupações da Paris do Segundo Império. Suicídio, epidemias, pena de morte, duelos, assassinatos, nada escapou à argúcia do Codificador, que deles se aproveitava para edificar os leitores, por meio de comentários judiciosos e oportunos. Quantos Espíritos desencarnados foram evocados a partir de referências extraídas dos jornais, e que brindaram os leitores da Revista Espírita com o testemunho da sua própria experiência! Muitos detalhes de toda ordem, até então inimagináveis sobre a vida de além-túmulo – ainda não dispúnhamos das obras de André Luiz – foram revelados inopinadamente por esses repórteres do Mundo Espiritual e estampados no Jornal de Estudos Psicológicos de Allan Kardec.

Não é de admirar que muitos jornais, sobretudo os que refletiam o pensamento da igreja dominante, ou que com ela simpatizavam, resolvessem assestar as suas baterias contra o Espiritismo, através da publicação de artigos virulentos, quase sempre marcados pela falta de urbanidade e pelo rancor indisfarçável de seus autores, quando não atacavam pura e simplesmente o Codificador, em sua honra e em seus interesses. Várias vezes – diz Allan Kardec.

[…] já nos perguntaram por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas, dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários e, por vezes, contra nós. Acreditamos que o silêncio, em certos casos, é a melhor resposta. Aliás, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, como nos tomaria um tempo que podemos empregar mais utilmente […] Entretanto, há polêmica e polêmica; uma há, diante da qual não recuaremos jamais: é a discussão séria dos princípios que professamos. 8

Fiel a esse princípio, e sem jamais se afastar da moderação e da conveniência, Allan Kardec serviu-se inúmeras vezes das páginas da Revista Espírita para refutar as aleivosias assacadas contra o Espiritismo. Eis uma pequena amostra: Refutação de um artigo do Univers (maio/1859); Resposta à réplica do abade Chesnel no Univers (julho/1859); Resposta do Sr. Allan Kardec à Gazette de Lyon (outubro/1860); A Bibliografia Católica contra o Espiritismo (janeiro/1861); Resquícios da Idade Média – O auto-de-fé de Barcelona (novembro/1861); Resposta de uma senhora a um eclesiástico sobre o Espiritismo (maio/1862); Suicídio falsamente atribuído ao Espiritismo (abril/1863); Primeira carta ao padre Marouzeau (julho/1863); Pastoral do bispo de Argel contra o Espiritismo (novembro/1863); Reclamação do abade Barricand (julho/1864); Nova tática dos adversários do Espiritismo (junho/1865); O Espiritismo só pede para ser conhecido (setembro/1866).
A despeito de tantos artigos em defesa da Doutrina Espírita, só raríssimas vezes Allan Kardec utilizou a Revista Espírita para refutar os ataques pessoais de que foi alvo, e mesmo assim de forma indireta, aproveitando os discursos que fazia à Sociedade Espírita de Paris, ou em outras ocasiões menos especiais. Mas sempre com classe e elegância, como nesta passagem:

Eu desfrutaria de um privilégio inconcebível se tivesse ficado ao abrigo da crítica. Não nos pomos em evidência sem nos expormos aos dardos daqueles que não pensam como nós. Mas há duas espécies de crítica: uma que é malévola, acerba, envenenada, onde o ciúme se trai em cada palavra; a outra, que visa à sincera pesquisa da verdade, tem características completamente diversas. A primeira não merece senão o desdém; jamais com ela me incomodei. Somente a segunda é discutível.9

Ou neste outro trecho:

Deixando aos nossos contraditores o triste privilégio das injúrias e do personalismo, não os seguiremos no terreno de uma controvérsia sem objetivo. Dizemos sem objetivo porque jamais os levaria à convicção; ademais, seria pura perda de tempo discutir com pessoas que não têm a menor noção daquilo que falam. Só temos uma coisa a dizer-lhes: Estudai primeiro; depois veremos. Temos mais que fazer do que falar a quem não quer ouvir. Afinal de contas, o que importa a opinião contrária deste ou daquele? Terá essa opinião tão grande importância que possa deter a marcha natural das coisas? […] Assim, deixando a incredulidade zunir à nossa volta, jamais nos desviaremos do caminho que nos é traçado pela própria gravidade do assunto que nos ocupa.10

Contudo, algumas vezes foi mais direto:

Sempre honrei os meus negócios, não importa a que preço de sacrifícios e de privações; nada devo a quem quer que seja, enquanto muitos me devem, sem o que teria mais do dobro do que me resta; assim, ao invés de subir, desci na escala da fortuna.

E esta outra:
Jamais pedi qualquer coisa a alguém, ninguém jamais me deu algo para mim pessoalmente; nenhuma coleta de um centavo qualquer veio prover às minhas necessidades; numa palavra, não vivo a expensas de ninguém, porquanto, dassomas que me foram voluntariamente confiadas no interesse do Espiritismo, nenhuma parcela foi desviada em meu proveito.

Como vemos, a Revista Espírita põe a nu a intimidade do Codificador do Espiritismo, no-lo revelando tal qual se mostrava em sua vida privada, real, verdadeira, autêntica, sem laivos de santidade e sem se afastar do comum dos mortais. Porque jamais se disse ou se impôs como missionário, como predestinado de uma Revelação que, sem ele, não chegaria aos deserdados da Terra; porque sabia que os desígnios divinos não se assentam na cabeça de um homem; enfim, porque estava convicto de que a Doutrina Espírita não era dele, mas dos Espíritos, essas grandes vozes dos Céus que, nos tempos preditos, “vinham restabelecer todas as coisas, dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.” 13

No ano do sesquicentenário do lançamento da Revista Espírita, nada mais justo do que conhecer a alma de Allan Kardec, gozar de sua intimidade, acompanhar passo a passo a marcha do Espiritismo nascente, as dificuldades para a sua implantação, as lutas que teve de vencer para fincar as balizas de uma Nova Era para a regeneração da Humanidade. E essa Epopéia sem par, essa trajetória admirável, escrita em caracteres irrecusáveis, está toda inteira nas páginas da Revista Espírita, nessa coletânea de doze volumes, patrimônio inalienável dos espíritas do mundo inteiro, que merece lida, meditada e amada, como tudo que saiu da pena daquele que renasceu na França “aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus-Cristo.” 14

Brasília (DF), 1º de janeiro de 2008.
Evandro Noleto Bezerra
Tradutor

1 WANTUIL, Zeus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: pesquisa biobibliográfica e ensaios de interpretação. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. v. 2.
2 KARDEC, Allan. Apresentação da FEB. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 1, 1858.
3 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 294.
4 KARDEC, Allan. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 1, 1858.
5 BARRERA, Florentino. Prontuário crítico das obras de Allan Kardec. Tradução de David Caparelli. São Paulo : Madras, 2003. p. 147.
6 KARDEC, Allan. Apresentação da FEB. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 1, 1858.
7 KARDEC, Allan. Introdução.In:______ O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 122. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
8 KARDEC, Allan. Polêmica espírita. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 1, 1858.
9 KARDEC, Allan. S.P.E.E. Discurso de encerramento do ano social. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 2, 1859.
10 KARDEC, Allan. O Espiritismo em 1860. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 3, 1860.
11 KARDEC, Allan. Os milhões do Sr. Allan Kardec. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 5, 1862.
12 KARDEC, Allan. Relatório da Caixa do Espiritismo. Revista Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004. ano 8, 1865.
13 KARDEC, Allan. Prefácio. In:______. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 122. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.