Saúde e Espiritualidade

Em dia com o Espiritismo

Marta Antunes Moura

Acreditamos que já está ocorrendo a aliança entre a Religião e a Ciência, “[...] as duas alavancas da inteligência humana [...]”,1 nas palavras de Allan Kardec, que complementa assim as suas considerações:

[...] uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Ambas, porém, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. [...]

A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de um excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito  que deu origem à incredulidade e à intolerância.1

Como se tivessem firmado um acordo mútuo, cientistas e religiosos da atualidade estão empenhados em construir pontes de entendimento, em substituição aos muros do desprezo e intransigência construídos ao longo dos séculos. É verdade que ainda há um longo caminho a ser percorrido, a fim de que se estabeleça a definitiva união entre as duas partes. Entretanto, vemos com redobrado otimismo as inúmeras publicações científicas relacionadas à temática saúde e religião, ou saúde e espiritualidade, surgidas em diferentes partes do mundo, e desenvolvidas por competentes autoridades, nas academias e institutos de ciência espalhados no Planeta.

Jeff Levin, professor e epidemiologista estadunidense, é uma referência no assunto, não só pela importância e confiabilidade de suas pesquisas, mas pela repercussão obtida nas comunidades leigas e científicas, a ponto de seus trabalhos científicos serem objeto de matéria de capa em revistas de abrangência mundial (Time, Reader’s Digest e Maclean’s), ou transformados em destacados artigos, publicados em periódicos de renome como Newsweek, USA Today e The New York Times.

Em seu livro Deus, fé e saúde, publicado entre nós pela editora Pensamento-Cultrix, ele explora com segurança e sensibilidade a conexão espiritualidade–cura. Trata-se de uma obra na qual o autor “[...] empreende uma jornada por expressões cada vez mais profundas e pessoais da religião e de espiritualidade”,2

condições que permitem ao professor Levin afirmar: “[...] as evidências científicas das ligações entre o corpo, a mente e o espírito desafiam as nossas suposições a respeito do que significa ser um ser humano, de como ficamos doentes e de como recuperamos a saúde”.3 Ainda perplexo com os resultados das pesquisas, próprias e de outros colegas, o cientista considera que a Ciência precisa refazer as tradicionais concepções relativas ao ser humano e, igualmente, rever processos terapêuticos e psicoterápicos. Propõe, inclusive, a edificação de uma nova prática médica, denominada “medicina teossomática”, regida por sete princípios. As suas palavras, reproduzidas no texto que se segue, esclarecem a respeito dos resultados das pesquisas que tratam do assunto.

As evidências apresentadas aqui indicam que, para termos saúde, é preciso mais do que ter apenas bons genes ou a atitude correta. [...] Eu dei a essa nova perspectiva que reconhece os fatores espirituais determinantes da saúde o nome de “medicina teossomática”. Essa expressão significa, literalmente, uma visão dos fatores determinantes da saúde com base nas ligações aparentes entre Deus ou o espírito – ou a fé em Deus – e o bem-estar do corpo.3

Os sete princípios da medicina teossomática são assim enumerados:

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1. A afiliação religiosa e a participação como membro de uma comunidade religiosa beneficiam a saúde ao promover comportamentos e estilos de vida saudável.

2. A frequência regular a uma congregação religiosa beneficia a saúde ao oferecer apoio que ameniza os efeitos do stress e do isolamento.

3. A participação no culto e na prece beneficia a saúde graças aos efeitos fisiológicos das emoções positivas.

4. As crenças religiosas beneficiam a saúde pela sua semelhança com crenças e com estilos de personalidade que promovem a saúde.

5. A fé, pura e simples, beneficia a saúde ao inspirar pensamentos de esperança e de otimismo e expectativas positivas.

6.As experiências místicas [mediúnicas] beneficiam a saúde ao ativar uma bioenergia ou força vital ou estado alterado de consciência que promovem a cura.

7. A prece a distância em favor de outras pessoas é capaz de curar por meios paranormais ou por intervenção divina. As consequencias dessas e outras contribuições científicas são incalculáveis, pois têm o poder de derrubar o paradigma mecanicista, tradicionalmente utilizado pela saúde e pela educação, que considera o homem apenas como alguém dotado de razão (intelecto), ignorando que o ser humano é também um ser sensível, emocional, que possui crenças, sentimentos e percepções. Em termos práticos e operacionais, essas pesquisas já estão promovendo mudanças significativas na conduta e procedimentos médicos, nos serviços de enfermagem e nas abordagens psicoterápicas, no mundo inteiro,mudanças nomeadas com o jargão técnico “cuidado espiritual”.5, 6, 7

Sabemos que o Espiritismo, antecipando-se às publicações científicas, considera, necessariamente, a dimensão espiritual do ser, existente e sobrevivente à morte do corpo físico, as influências espirituais, o auxílio de benfeitores, o valor da prece, o apoio do passe e da água magnetizada, entre outros. Neste sentido, o espírita esclarecido evita qualquer tipo de conduta que lhe possa comprometer a saúde, ciente de que os males que afetam o cosmo orgânico têm raízes espirituais. O Espírito Manoel Philomeno de Miranda lembra, a propósito, os cuidados devidos à prevenção de doenças, considerando que “a saúde é compromisso de alta relevância e responsabilidade ainda mal conduzida por aqueles que a desfrutam e, menoscabando-a, perdem-na, a fim de se afadigarem pela sua recuperação mais demorada e mais difícil”.8

Outros instrutores espirituais ensinam também que, dentro de uma visão mais ampla, saúde pode ser entendida como “[...] o pensamento em harmonia com a lei de Deus. Doença é o processo de retificá-lo, corrigindo erros e abusos perpetrados por nós mesmos, ontem ou hoje, diante dela”.9

No sentido mais restrito, esclarecem que saúde [...] é reflexo da harmonia espiritual [...]. A escravização aos sintomas e aos remédios não passa, na maioria das ocasiões, de fruto dos desequilíbrios a que nos impusemos. 10

Jonas da Costa Barbosa

Desencarnou em Belém (PA), no dia 13 de dezembro de 2009, o confrade Jonas da Costa Barbosa, dedicado trabalhador do Movimento Espírita brasileiro. Ele esteve na direção da União Espírita Paraense por 53 anos, sendo seu presidente nos períodos de 1960 a 1971 e de 1979 a 30/4/ 2006. No velório e sepultamento de seu corpo, além do comparecimento da família espírita paraense e de incontáveis amigos, recebeu homenagens de todo o Estado, registrando-se a presença de representante do Governo.

Vanderlei Marques

Registramos a desencarnação, nos Estados Unidos da América, em 15 de dezembro de 2009, do confrade Vanderlei Marques, 2o tesoureiro do Conselho Espírita Internacional (CEI). Foi ele um dos fundadores do Conselho Espírita dos Estados Unidos, e trabalhou incansavelmente em favor do Movimento Espírita daquele país,onde residia há mais de 20 anos. Aos seareiros do Consolador, que retornam à Pátria Espiritual, rogamos as bênçãos de Jesus.

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Edição de Julho 2010

Capa da Revista do Mês

Sumário

Editorial
Atualidade do Espiritismo (Capa)
Comportamento preconceituoso

Nesta Edição

Entrevista: Wagner de Assis
Filme Nosso Lar destaca a renovação espiritual
Presença de Chico Xavier
A Independência – Humberto de Campos
Lei de Reprodução – Christiano Torchi
Em dia com o Espiritismo
Evolução epigenética – Marta Antunes Moura
Tributo a Chico Xavier na ONU
O trabalho voluntário na Casa Espírita
O voluntariado do amor – Xerxes Pessoa de Luna
A isso fomos chamados
Lucy Dias Ramos
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Revista Reformador – uma publicação da:

FEB - Federação Espírita Brasileira