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segunda-feira, 11/04/2016

Autoiluminação

Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir ao arrastamento do mal?

Um sábio da Antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo.

[…]

O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como pode alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio, que atenua as faltas e as torna desculpáveis? O avarento se considera simplesmente econômico e previdente; o orgulhoso acredita ter apenas dignidade. Tudo isso é muito certo, mas tendes um meio de controle que não vos pode enganar. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais nos outros, ela não poderia ser mais legítima, caso fôsseis o seu autor, porque Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que pensam os outros e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, já que estes não têm nenhum interesse em disfarçar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Aquele, pois, que tem o sério desejo de melhorar-se perscrute a sua consciência, a fim de extirpar de si as más tendências, como arranca as ervas daninhas do seu jardim; faça o balanço de sua jornada moral, avaliando, a exemplo do comerciante, seus lucros e perdas, e eu vos garanto que o lucro sobrepujará os prejuízos. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem temor o despertar na outra vida (O livro dos espíritos, q. 919 e 919-a).

*

Um jovem despendera cinco árduos anos na busca da verdade. Certa feita, subindo os contrafortes de uma grande cadeia de montanhas, percebeu um ancião que descia pela trilha com um pesado alforje às costas. Sentiu que aquele homem estivera no ponto mais alto, que finalmente encontrara um sábio capaz de responder às suas mais íntimas perguntas.

“– Por obséquio, senhor – pediu –, qual o significado da iluminação?”

O velhinho sorriu e parou. Em seguida, cravando os olhos no jovem, tirou devagar o alforje das costas, depositou-o no chão e endireitou o corpo.

“– Ah, compreendo! – exultou o rapaz. Mas, bom homem, o que vem depois da iluminação?”

O ancião respirou fundo, repôs o alforje às costas e continuou seu caminho.

*

A educação nas pequenas quanto nas grandes ações é o melhor caminho para o autoconhecimento. A educação, não apenas aquela exterior cultivada pelos costumes sociais, mas a verdadeira educação que renova hábitos é transformadora, afirmava o educador Pedro de Camargo, conhecido pelo pseudônimo Vinícius.

Mas, curiosamente, quando o processo de autoiluminação é reconhecido como individual e intransferível, o trajeto mais curto para chegarmos à plena iluminação é a convivência. Ou seja, a convivência com o semelhante é a melhor maneira de nos autoconhecermos.

O próximo com quem nos relacionamos cotidianamente acaba por se revelar o guia do roteiro que devemos traçar e seguir para alcançarmos os objetivos nobres da vida para o qual fomos criados. É ele que aponta as necessidades que ainda trazemos de corrigir antigos vícios e adquirir novas virtudes.

A simbologia dos evangelhos sobre o personagem da parábola das bodas que não se vestia adequadamente para a ocasião é um alerta a fim de que estejamos todos devidamente preparados quando o Senhor nos convidar para a entrada no Reino dos Céus.

Se não preenchermos os requisitos de virtudes exigidas, sequer passaremos pelo “portão de entrada”. E o nosso cartão de acesso é o coração puro e a mente limpa. Caso não apresentemos tais competências, precisaremos empreender a viagem de retorno e de recomeço, no processo abençoado das sucessivas experiências ensejadas pela Misericórdia Divina, para que, no momento oportuno, quando o Senhor novamente nos convocar, possamos dizer com toda segurança: “Estou pronto, Senhor! Faça-se em mim a Tua vontade.”

Extratos do livro Anotações espíritas, ditado por Espíritos diversos, psicografado por Divaldo Pereira Franco e organizado por Geraldo Campetti Sobrinho. Ed. FEB.

SOBRE O AUTOR

Geraldo Campetti Sobrinho

Geraldo Campetti Sobrinho é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Responsável pela área de Divulgação Doutrinária, que contempla as seguintes unidades organizacionais: Reformador; Memória e Documentação; Comunicação; FEB Editora; e Comercial. Palestrante, escritor e apresentador dos programas Livros que Iluminam e Entre dois mundos: uma visão espírita da realidade, da FEBtv.

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