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quarta-feira, 16/07/2014

À Luz do Evangelho – Diretrizes para a Evangelização Segundo Emmanuel

Há setenta e seis anos, em 13 de maio de 1938, o então vice presidente da Federação Espírita Brasileira, Manuel Justiniano de Freitas Quintão — que também ocupou a presidência da FEB em três mandatos (1915, 1918 e 1929) — visitou o saudoso médium Chico Xavier, em Pedro Leopoldo. Foi um encontro de almas afins, amigos de existências pretéritas que,  unidos em torno do ideal e da responsabilidade de espalhar as luzes do Evangelho de Jesus, segundo a interpretação espírita, souberam manter-se fieis ao compromisso de servir ao Cristo, abstraindo-se de qualquer manifestação de vaidade ou de personalismo.

Relendo tais informações, somos naturalmente envolvidos por sinceras   emoções que nos conduzem às lágrimas, apenas ao imaginar como deve ter sido feliz aquele encontro e, também, por constatar que hoje há carência de boas lideranças como a do Chico e  de Quintão. Temos, sim, na atualidade espíritas muito devotados, exemplos vivos de retidão, pessoas que verdadeiramente se sacrificam pela Causa Espírita. Contudo, infelizmente, há escassez de liderança, em qualquer cenário que se focalize (político, social, religioso e espírita) porque o egocentrismo, a idolatria de si mesmo, está se alastrando no mundo como uma erva daninha.

Em geral, percebe-se que há pouca preocupação com o bem coletivo, com o próximo. A tônica, quase patológica, é a de  “deixar uma marca no mundo”, independentemente se valores morais e éticos estariam sendo violentados. Na verdade, o discurso dos falsos inovadores é marcado pelo descompromisso moral, ainda que preguem a necessidade de ser bom, de fazer o bem, e recheiam suas falas com citações do Evangelho ou indiquem leituras de páginas escritas por Espíritos veneráveis.

São tropeços e desafios inerentes ao período de transição, em plena vigência na atualidade, mas que cabe ao espírita cristão enxergar com clareza para saber agir corretamente e fazer escolhas acertadas.  Até porque, esclarece Allan Kardec:

À agitação dos encarnados e dos desencarnados se juntam, por vezes e na maioria das vezes, já que tudo se conjuga, na natureza, as perturbações dos elementos físicos; é então, por um tempo,  uma verdadeira confusão geral, mas que passa como um furacão, depois do que o céu se torna sereno, e a humanidade, reconstituída sobre novas bases, imbuída de novas ideias, percorre uma nova etapa de progresso.1

Retornando à visita de Quintão, na ocasião, Emmanuel transmitiu, pela mediunidade de Chico Xavier, uma mensagem que permanece atual. Publicada inicialmente no Reformador de julho de 1938, recebeu este título: Mensagem de Emmanuel – o grande labor de todos os tempos e o labor precípuo para resolvê-lo. Republicada no Reformador de maio de 1976, passou a ser denominada À Luz do Evangelho.

Nessa comunicação mediúnica Emmanuel põe em evidência a necessidade da evangelização para o ser humano, independentemente da faixa etária em que se encontre, e fornece preciosas e confiáveis diretrizes à sua execução. Por se tratar de um resgate histórico, oriundo da época  em que a evangelização espírita infanto-juvenil encontrava-se em processo de organização e funcionamento no Brasil, pedimos ao leitor amigo leitura atenta e reflexiva do texto que se segue, a fim de não nos iludirmos quanto ao caminho que  devemos seguir. Eis a mensagem:

Meus amigos:

Saudando o nosso irmão presente, bem como aos demais companheiros da nossa caravana evangélica,  faço-o na paz de Jesus, desejando-vos a sua luz santificadora.

Nada mais útil do que o esforço de evangelização, na atualidade, e é dentro dessa afirmativa luminosa que precisamos desenvolver todos os nossos labores e pautar todos os pensamentos e atitudes. As transições terríveis e amargas do século têm sua origem na clamorosa incompreensão do exemplo do Cristo. O trabalho secular de organização das ciências positivas caminhou a par da estagnação dos princípios religiosos. Os absurdos contidos nas afirmações e negações de hoje são o coroamento da obra geral das ciências humanas, entre as quais, despojada de quase todos os seus aspectos magníficos da Antiguidade,  vive a filosofia dentro de um negativismo transcendente. E o que se evidencia, aos amargurados dias que passam,  é , de um lado,  a ciência que não sabe e,  de outro,  a religião que não pode.

O nosso labor deve caracterizar-se totalmente pelo esforço de renovação das consciências e dos corações, à luz do Evangelho. Urge, pelos atos e pelos sentimentos, retirar da incompreensão e da má-fé todas as leis orgânicas do código divino,  e aplicá-las à vida comum.O vosso sacrifício e o vosso esforço executarão o trabalho regenerador,  mas necessário é não vos preocupeis com os imperativos do tempo,  divino patrimônio da existência do espírito. À força de exemplificação e apoiados nas vossas convicções sinceras, conseguireis elevadas realizações, que farão se transladem para as leis humanas as leis centrais e imperecíveis do Divino Mestre.

Esse o grande problema dos tempos.

Nenhuma mensagem do mundo  espiritual pode ultrapassar a lição permanente e eterna do Cristo, e a questão,  sempre nova,  do Espiritismo é,  acima de tudo evangelizar,  ainda mesmo com sacrifício de outras atividades de ordem doutrinária.

A alma humana está cansada de ciência sem sabedoria e, envenenado pelo pensamento moderno, o cérebro,  nas suas funções culturais,  precisa ser substituído pelo coração,  pela educação do sentimento. O Evangelho e o trabalho incessante pela renovação do homem interior devem constituir a nossa causa comum.  Procuremos desenvolver nesse sentido todo o nosso esforço dentro da oficina de Ismael, e teremos encontrado,  para a nossa atividade,  o setor de edificação sadia e duradoura.

Que Jesus abençoe os labores do nosso amigo e dos seus companheiros,  que,  com abnegação e renúncia,  lutam pela causa do glorioso Anjo, servindo de instrumento sincero à orientação superior da sua Casa no Brasil,  é a rogativa muito fervorosa do irmão e servo humilde.

 Emmanuel

 Referências

  1. KARDEC, Allan. A gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1imp. Brasília: FEB, 2013. Cap.XVIII, it. 9, p. 349.

SOBRE O AUTOR

Marta Antunes de Moura

Marta Antunes Moura, coordenadora das Comissões Regionais na área da Mediunidade da Federação Espírita Brasileira (FEB), Vice-presidente da FEB.

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