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sexta-feira, 12/12/2014

O Messias de Handel

Esta exuberante composição musical, de autoria do alemão Georg Friedrich Händel ou Handel (Halle an der Saale/Alemanha, 23/02/1685 — Londres/Inglaterra, 14/04/1759), naturalizado inglês em 1826, é classificada como oratório — um tipo de ópera religiosa, mas sem a representação no palco.

Em 1741, Haendel recebeu um convite de Lord Lieutenant da Irlanda para ajudar a levantar dinheiro para três instituições de caridade de Dublin através de apresentações musicais. Embora doente nessa época, Haendel estava determinado a compor um novo oratório sacro para a ocasião […].1

O Messias é, na verdade, uma polifonia musical (do grego, com muitas vozes). A expressão designa as diferentes partes da polifonia musical que são construídas de forma independente, nenhuma é mais importante que a outra, e todas devem ser desenvolvidas harmônica e simultaneamente. Trata-se de refinamento artístico, realizado somente pelos grandes mestres.

Handel tinha grande facilidade para compor, fato que comprova a sua vasta produção, compreendida por mais de 600 peças obras, muitas delas de grandes proporções, incluindo-se entre elas dezenas de óperas e oratórios de vários movimentos. Sua fama em vida foi enorme, tanto como compositor quanto como instrumentista, e mais de uma vez foi chamado de “divino” pelos seus contemporâneos. Sua música se tornou conhecida em muitas partes do mundo, foi de especial importância para a formação da cultura musical britânica moderna, e, desde a metade do século XX tem sido recuperada com crescente interesse. Hoje ele é considerado um dos grandes mestres do Barroco musical europeu.2

No Messias, Handel imprime destaque às vozes humanas, combinando-as à arte dos instrumentos e, ao mesmo tempo, imprime ênfase ao aspecto profundamente religioso da composição musical. “[…] Trata-se de uma obra muito diferente: pela inspiração cristã e pelo lirismo.”3

O compositor inspira-se em versículos do Velho e do Novo Testamentos para destacar a figura ímpar de Jesus. Com isto, o oratório se destaca por abranger 51 movimentos, os quais divididos em três fases ou partes são apresentadas em duas horas e trinta minutos.

Importa esclarecer que período de tempo destinado à execução é variável em função nas diferentes interpretações, como acontece com qualquer outra composição musical que se mede por compassos e não por minutos. Isto quer dizer que o número de vozes e de instrumentos pode não ser fixo no concerto musical.

E foi exatamente o que ocorreu com o Messias, cujo número de músicos foi ampliado ao longo das suas sucessivas apresentações.. Apenas para citar os concertos realizados na Inglaterra, lembramos que em 1759, ano que Handel tocou pela última vez sua belíssima composição musical, em Covent Garden,

[…] os executantes formam um conjunto imponente para a época: trinta e três instrumentistas e cerca de sessenta coristas. Mas em 1784, na Westminster Abbey, serão mobilizados mais de quinhentos executantes (250 instrumentistas e 274 cantores); em 1791, mais de mil; em 1857, mil e seiscentos; em 1859 [cem anos após a última apresentação de Handel], quatro mil!… 4

O 42º segundo movimento é conhecido como Aleluia, é o mais apreciado por milhares e milhares de pessoas espalhadas pelo Planeta. É raro encontrar alguém que desconheça esta parte do Messias, trecho de admirável riqueza artística capaz de produzir profundas emoções. Reproduzido em parte ou em sua totalidade, ano após ano, sobretudo no Natal, o certo é que o Messias, é uma música que nos faz recordar Jesus, para glorificá-lo e para agradecer-lhe as inumeráveis bênçãos que nos transmite.

O Messias representa uma “[…] magnífica saga cristã, cuja grandeza não exclui nem a graça, nem a ternura […].”5 Executada com sucesso no mundo inteiro, desde 1742, ao ser ouvida nos transporta a uma dimensão superior, celestial, segundo palavras do próprio compositor que acreditou também, segundo a sua convicção religiosa luterana, ter alcançado a sua redenção com esta gloriosa música:

[…] pois Handel também colocou no Messias suas esperanças de merecer ressurreição gloriosa no dia do Juízo Final. Assim, com os originais do Messias na mão e parecendo ouvir os trombones que o chamarão perante o trono de Deus, é Handel representado no seu túmulo monumento na Westminster Abbey: servidor do Senhor e soberano do Império Britânico da música. 6

Referências

1. BURROWS. John (editor) e WIFFEN, Charles. Guia ilustrado de música clássica.Trad. de André Telles. 3 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008, p.115.
2. Acesso em 3 de dezembro de 2014: http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Friedrich_H%C3%A4ndel
3. CARPEAUX, Otto Maria. O livro de ouro da história da música. Rio de Janeiro: PocketOuro, 2009, p.109.
4. CANDÉ, Roland de. História universal da música. Vol 1. Trad. De Eduardo Brandão. São Paulo; Martins Fontes, 2001, p.600.
5. CARPEAUX, Otto Maria. O livro de ouro da história da música. Rio de Janeiro: PocketOuro, 2009, p.107.
6. ______. P. 110.

SOBRE O AUTOR

Marta Antunes de Moura

Marta Antunes Moura, coordenadora das Comissões Regionais na área da Mediunidade da Federação Espírita Brasileira (FEB), Vice-presidente da FEB.

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