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segunda-feira, 26/01/2015

Valores e Juízos Humanos

Axiologia (do grego, estudo ou tratado do valor, da dignidade) é o ramo da Filosofia que estuda os valores e os juízos valorativos, sobretudo os de natureza moral, tendo como complemento a Ética e Estética.

Em termos históricos, a Axiologia foi iniciada por Platão (428 ou 427 a.C – 347 a.C) ao estudar ideias subordinadas à manifestação do Bem. Posteriormente, foi desenvolvida por Aristóteles, pelos filósofos estoicos* e epicuristas, investigadores do summum bonum (supremo bem). Na filosofia escolástica (Idade Média), o Summum Bonum é definitivamente considerando como sinônimo de Deus. A partir do século XIX, em razão da influência da Economia, da Sociologia e da Psicologia surgem diversas doutrinas que tratam da relatividade dos valores. Amplia-se, então, o campo de atuação da Axiologia que, além de analisar as manifestações dos valores, dos juízos de valor, da ética e da estética, estuda também o direito, a política e a escatologia*.

Ao considerar os conflitos existentes no mundo atual, nitidamente marcado por significativa insegurança dos relacionamentos, individual e coletivo, entre pessoas e povos, nos parece importante destacar alguns significados da Axiologia, a fim de que, talvez, seja possível fazer o leitor refletir a respeito da forma como tem conduzido a sua existência.

  • Valores: são condições decorrentes do caráter e da personalidade humanas. Indicam o conjunto de características presentes em uma pessoa ou comunidade (organização), como os indivíduos se comportam e se interagem, entre si e com o meio ambiente.1 Os valores morais e éticos são elementos formadores e educadores do comportamento humano, necessários para o estabelecimento de uma convivência pacífica, justa e respeitosa.
  • Moral: palavra derivada do termo latino mores; significa o que é relativo aos costumes, isto é, a forma como os costumes e hábitos se expressam, em nível indivídual e coletivo. Moral é tudo aquilo que promove o homem no sentido mais amplo e, ao mesmo tempo, é capaz de mantê-lo ajustado à realidade da vida e do meio onde está inserido.

A vivência moral tem o poder de conduzir a pessoa à plena realização (física, emocional, psíquica, afetiva etc) porque, integrada ou ajustada à realidade em que vive, desenvolve a capacidade de se ver como um indivíduo, portador de direitos e deveres, e, também, de perceber o outro, concluindo que ambos são como elementos úteis ao todo social.

  • Ética: (do latim, ethica), refere-se ao estudo da natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Ética é uma doutrina filosófica que tem por objeto a moral, vista no tempo e no espaço, e está voltada para o estudo dos juízos de valor ou da apreciação da conduta humana.

A Ética não possui um caráter normativo, condição exclusiva da Moral, porém parte do princípio de que o comportamento só considerado ético se é bom, se há manifestação da bondade. Daí os antigos afirmarem que o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. Jesus, por sua vez, ao revelar profunda sabedoria e conhecimento da natureza humana, define a regra de ouro do relacionamento humano: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas.”( Mateus 7:12)
Os estudos éticos permitem identificar dificuldades e benefícios absorvidos por grupos ou comunidades, propondo soluções de problemas. Contudo, certas posições sociais, manifestadas na forma de poder e/ou de aquisições materiais, podem “subir à cabeça” de lideres que, ao violarem valores éticos, desencadeam conflitos de liderança e de confiabilidade, reduzindo princípios ético-morais universais à “ética situacional”, essencialmente voltada para os interesses próprios e circunstanciais.

  • Juízo de valor: é um julgamento/avaliação que alguém faz quanto à correção e incorreção de atitudes e comportamentos de outra pessoa, fundamentando-se no sistema de crenças e cultura próprios, do grupo ou da coletividade. Há, porém, juízos de valor que são passíveis de mudanças, às vezes diametralmente opostas, por estarem relacionados às convenções sociais ou dos grupos de pressão.

Os juízos sobre a validade e a normatividade das ações são juízos de valor que fundamentam as normas e os deveres. Pronunciar um juízo, assim como categorizar uma pessoa, pronunciar uma sentença, elogiar ou injuriar alguém, dar uma ordem, constitui um ato. Pelo juízo, o indivíduo é capaz de decidir do bem e do mal, do belo e do feio, do justo e do injusto.2

A validade dos juízos de valor consideram os princípios a eles relacionados, tais como os fundamentos da Ciência, da Moral, da Ética, da Arte, da Estética, da política, da Religião, assim como o contexto onde são emitidos. É por isto que certas orientações determinadas pela tradição podem ser sujeitadas às pressões da racionalização e/ou da moral/ética. Acerta-se sempre quando os juízos emitidos seguem a Moral e a Ética.
Em notável palestra realizada no 4° Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, França, no dia 3 de outubro de 2004, Altivo Ferreira, então vice presidente da FEB, esclarece:

Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes d’Ele, os princípios da ética moral eram graves […].Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas consequências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou.” Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos, 12:21); “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (I Coríntios, 10:23); e reforça com seu exemplo: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas, 2:19-20).

O espírita esclarecido compreende que se faz necessário a vivência leis morais orientadoras da conduta ética humana. Conduta que está inequivocadamente sintetizada no item O Homem de Bem, de O Evangelho segundo o Espiritismo que, entre outros, enfatiza a excelência da prática da lei de justiça, amor e caridade.

Referências
1. http://www.significados.com.br/valores/. Acesso em 23/01/2015.
2. http://www.infopedia.pt/$juizo-de-valor Acesso em 23/01/2015.
3. FERREIRA, Altivo. A ética espírita. Estudo originalmente publicado na Revista Internacional de Epiritismo, Ano LXXX, N° 02, Matão, Março 2005. ( Reproduzido com autorização do autor).

*Filósofos estóicos (Estoicismo)= Os estoicos ensinavam que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento, e que um sábio, ou pessoa com “perfeição moral e intelectual”, não sofreria dessas emoções. Filósofos epicuristas (Epicurismo)= pregavam a busca pelos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, com a ausência de sofrimento corporal pelo conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos. Afirmavam que quando os desejos são exacerbados podem ser fonte de perturbações constantes, dificultando o encontro da felicidade que é manter a saúde do corpo e a serenidade do Espírito. Escatologia= é uma parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final do gênero humano, comumente denominado como fim do mundo.

SOBRE O AUTOR

Marta Antunes de Moura

Marta Antunes Moura, coordenadora das Comissões Regionais na área da Mediunidade da Federação Espírita Brasileira (FEB), Vice-presidente da FEB.

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