fbpx

quinta-feira, 21/06/2012

Entrevista com Affonso Soares

1 – Como surgiu seu interesse pelo Esperanto? Seria até interessante uma sucinta  explicação sobre o idioma internacional face à possibilidade de leitores sem conhecimento prévio da língua criada por Zamenhof.

Fui levado a me dedicar ao Esperanto a convite do venerando Espírito Bezerra de Menezes, através da mediunidade de Yvonne A. Pereira. Isso ocorreu entre os anos de 1963 e 1964. Posteriormente, cheguei mesmo a receber dele mensagens com orientações específicas sobre o tema. O Esperanto é uma língua dita planejada, de fácil aprendizado, cujo objetivo é facilitar a comunicação entre pessoas de línguas diferentes em condições de absoluta neutralidade. Sua gramática compõe-se de apenas 16 regras fundamentais, seu vocabulário é internacional ao máximo, colhido nas grandes línguas de cultura, e por ser neutro, isto é, não pertencer a nenhuma nação, nenhuma religião, nenhuma corrente de pensamento, político ou filosófico, ele é o único idioma que reúne todas as qualidades para se afirmar como língua efetivamente internacional, pois serve exclusivamente a ideais universalistas, diferentemente de qualquer idioma nacional cujos objetivos sempre estarão a serviço de interesses de nações ou de grupos de nações. O Esperanto possibilita a concretização do que preceitua o artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, segundo o qual “todo homem é capaz de gozar os direitos e liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem nenhuma distinção por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou racial, ou qualquer outra condição”. (destaque nosso)

2 – Quantas obras existem hoje, publicadas com o selo da FEB, em idioma esperantista? Além da FEB, outras editoras espíritas também editam obras em Esperanto?

A FEB possui em sua linha editorial 34 obras em ou sobre Esperanto, abrangendo obras doutrinárias, dicionários, manuais de estudo, antologias e uma obra biográfica. Outras editoras também produzem nesse campo, como o Instituto de Difusão Espírita, a Sociedade Editora Espírita F. V. Lorenz, o Centro Espírita Léon Denis, a Sociedade Ramatis.

3 – Relate-nos a experiência da FEB, através do Departamento de Esperanto, com o polonês Przemyslaw Grzybowski, recentemente entrevistado pela RIE. Como foi o início e transcurso do intercâmbio até culminar com a presença dele próprio no Brasil?

A experiência com Przemyslaw, ou Przemek, bem ilustra a utilidade do Esperanto na divulgação do Espiritismo em nível mundial. Ainda adolescente, com 16 anos, ele buscou a FEB, usando o Esperanto, para orientar-se no campo de experimentações mediúnicas em que tomava parte na cidade polonesa de Bydgoszcz. Enviamos-lhe obras de Kardec, em Esperanto, e desde então estabeleceu-se um fecundo intercâmbio entre nós, estreitaram-se laços fortes de amizade, até podermos haver desfrutado de um agradável convívio em Brasília, por ocasião do Curso para Capacitação de Trabalhadores Espíritas, realizado na FEB no mês de julho de 2005. Ali, pelos inegáveis méritos de nosso amigo, como pessoa, como espírita sério e como intelectual a serviço da Educação, fomos entrevistados, filmados, e Przemek recebeu graves incumbências do Presidente da FEB e Secretário-Geral do CEI, Nestor Masotti.

4 – Além de suas atribuições na FEB, quanto ao Esperanto, há outras atividades junto ao ideal esperantista exclusivamente?

Nossas tarefas na FEB exigem-nos dedicação absolutamente integral, pelo que são muito reduzidas, eventuais, nossas atividades no movimento neutro do Esperanto, não obstante nossa filiação aos órgãos regionais, nacionais e mundiais que dirigem o movimento esperantista. Vez por outra, somos convidados para exposições nas sociedades esperantistas locais, por ocasião de eventos significativos da vida esperantista. Acreditamos que uma de nossas atribuições junto ao movimento neutro do Esperanto é justamente trabalhar no sentido de que sempre mais e mais se estreitem as suas boas relações com a FEB, vale dizer, com o Movimento Espírita. É uma grata tarefa, em nada difícil, uma vez que os ideais desses dois grandes movimentos  –  espírita e esperantista  –  têm pontos de contacto essencialmente profundos. Não é por outra razão, aliás, que os grandes Espíritos que dirigem o movimento espírita sempre têm prestigiado o Esperanto e estimulado o seu uso, estudo e divulgação.

5 – Como está, dentro do Movimento Espírita, a movimentação e o interesse junto ao Esperanto?

O Esperanto foi incorporado ao programa dos espíritas no Brasil desde 1909, quando Reformador, por iniciativa do então Presidente da FEB, Leopoldo Cirne, publicou o primeiro artigo sobre o tema. De lá para cá, não houve qualquer arrefecimento na divulgação, utilização e ensino do idioma no seio do movimento espírita. Atualmente, cresce o uso do Esperanto na Internet para divulgar o Espiritismo, estando em funcionamento diversos grupos de discussão, entre outras realizações. A página da FEB já disponibiliza em seu Portal, na seção download, em formato de livro eletrônico, a maior parte dos seus títulos em Esperanto. Mas não podemos perder de vista que o Esperanto foi criado para servir de instrumento de comunicação internacional, pelo que todas as construções edificadas no seio da Movimento Espírita do Brasil devem agora voltar-se para a conscientização dos movimentos espíritas espalhados pelo mundo no sentido de que também conheçam o Esperanto, adotem-no como língua para as suas relações internacionais.  

6 – Além do Movimento Espírita, como é o interesse e experiência prática com o Esperanto, nos diversos países?

Os esperantistas, disseminados em todos os países, não se contam ainda por dezenas de milhões, mas já formam uma coletividade bastante numerosa que possui, graças à língua comum, identidade e cultura próprias, e cujos membros, heterogêneos como o é a própria Humanidade, dedicam-se aos mais diversos interesses, usando plenamente o genial instrumento de comunicação que os une acima das fronteiras nacionais e culturais. Essa coletividade se organiza em sociedades locais, regionais e nacionais, sob a coordenação da Universala Esperanto-Asocio (Associação Universal de Esperanto), com sede em Rotterdam, Holanda. Além disso, a UEA conta com o serviço de uma rede de voluntários que a representam, como delegados, na maior parte das cidades de todos os continentes, todos comprometidos com a prestação de diversificados serviços a seus membros. Um membro da UEA poderá, por exemplo, percorrer o mundo inteiro conhecendo apenas a sua língua e o Esperanto, com o auxílio dessa rede de delegados.

7 – Há alguma espécie de rejeição das ideias espíritas, traduzidas e publicadas em Esperanto, por esperantistas sem conhecimento do Espiritismo?

O espírito de neutralidade positiva que tão bem caracteriza o Esperanto e seus ideais leva os adeptos conscientes e sinceros ao respeito por todas as religiões. O Movimento Espírita do Brasil, por seus já quase seculares serviços em favor da causa do Esperanto, sempre se assegurou o máximo respeito da coletividade mundial que usa a Língua Internacional Neutra, pelo que algumas posições radicais por parte de alguns esperantistas, no Brasil e no mundo, em relação ao Espiritismo, são localizadas, meramente pontuais, não influenciam a grande e generosa família esperantista e, por isso, tendem a sempre mais e mais se enfraquecer e, por fim, a desaparecer. Quanto à rejeição das idéias espíritas por parte de esperantistas, é fato que deve ser encarado com naturalidade, considerando-se que a liberdade de consciência é um direito de todo ser humano.

8 – Nos sites com cursos a distância, para aprendizado do idioma, há acompanhamento da quantidade de pessoas inscritas e efetivamente participantes?

O acompanhamento sempre é feito, embora ainda não se disponha efetivamente, nos círculos esperantistas, de uma tal estatística. Algumas iniciativas já apontam no sentido de um futuro levantamento, como é o caso do esperantista Germain Pirlot, de Oostende, Bélgica (gepir.apro@pandora.be)  que tem coletado dados relativos a cursos de Esperanto e seminários sobre interlingüística em universidades e institutos de ensino superior. Sua mais recente pesquisa dá notícia da existência de 69 de tais cursos e seminários em 24 países.

9 – Existe uma estatística da quantidade de cursos e alunos do idioma internacional, no Brasil? E no exterior?

Nossas consultas nos sites especializados no tema revelam que ainda está por ser feito um empreendimento global desse gênero, tanto no Brasil como no exterior. Mas as atividades intensas de ensino pela Internet, apesar dessa carência, levam a crer na existência de níveis consideráveis de oferta e demanda nesse terreno. Entre muitos cursos de alto nível, dispomos no Brasil daquele que pode ser acessado no site www.cursodeesperanto.com.br  com versões em dezenas de línguas nacionais.

10 – Existem comunicações mediúnicas, recentes, de apoio ao Esperanto?

A mais recente, de que tenho notícia, é a que o Espírito do grande pioneiro Ismael Gomes Braga ditou ao médium Divaldo Pereira Franco em 1999, sob o título “A Missão do Esperanto no Terceiro Milênio”. Aproveito aqui a oportunidade para informar sobre a existência de uma obra intitulada A Língua que veio do Céu, publicada pelo Centro Espírita Léon Denis, do Rio de Janeiro, em que estão reunidas, senão todas, pelo menos a imensa maioria das comunicações que os Espíritos até hoje ditaram a respeito do Esperanto

11 – O Sr. considera que o idioma tem expandido seus domínios no planeta? Tem sido mais utilizado nos tempos atuais?

Como todas as ideias e consequentes obras que estão destinadas pelo Alto a gerar profundas transformações na sociedade, o Esperanto efetivamente se propaga mas com a lentidão que lhe é imposta pela inevitável inércia cultural, isto é, pela tendência geral dos homens a resistir a tudo o que exija mudança, transformação. Mas, não obstante as resistências com que os interesses egoísticos buscam travar-lhe a marcha, ele vive e se desenvolve no seio da coletividade idealista que o usa para as suas relações internacionais, e esse desenvolvimento vem se revelando mais ostensivo nas redes mundiais de computadores. A ONU e a UNESCO têm reconhecido o seu valor. Os congressos universais de Esperanto são a demonstração viva e cabal de que ele é a solução justa para o problema linguístico mundial. O Esperanto tem formado no seio da coletividade supranacional que o usa uma cultura própria, planetária, a se traduzir nas diversas expressões do sentimento, do pensamento dessa coletividade, nos diversos campos em que a mente humana se manifesta. Numa palavra: o Esperanto é realidade irrecusável e sua generalização, como conquista da Humanidade, virá a seu tempo, com o progresso geral. Ele está no mundo há apenas 118 anos, o que é muito pouco tempo para que se implante a grandiosa transformação de que ele é veículo por excelência.

12 – Quais obras estão sendo presentemente traduzidas para o Esperanto? As obras de Kardec já estão todas traduzidas?

Atualmente, dedicamo-nos, entre outras tarefas, à versão para o Esperanto do livro Obras Póstumas. Ainda estamos no meio do caminho em virtude do volume de outras responsabilidades que nos cabem nos serviços da FEB, mas confiamos em que chegaremos a bom termo. A admirável obra Depois da Morte, de Léon Denis, também já está vertida na Língua Internacional Neutra, aguardando oportunidade para publicação. Todas as obras de Kardec já estão editadas em Esperanto. Referimo-nos ao Pentateuco e ao livro O que é o Espiritismo?, cujos textos estão disponíveis no site da FEB – www.febnet.org.br – em formato de livro eletrônico, inclusive com permissão para cópia.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS




FEB EDITORA


BOLETIM INSTITUCIONAL
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Captcha obrigatrio

CONGRESSO ESPÍRITA MUNDIAL


REVISTA REFORMADOR

Revista que aborda temas relacionados com Ciência, Filosofia e Religião à luz do Espiritismo e com o Movimento Espírita brasileiro e o internacional.

ASSINE