quinta-feira, 11/07/2013

A liberdade individual e coletiva

COLUNA ESPÍRITA por Aylton Paiva – paiva.aylton@terra.com.br

 

A LIBERDADE INDIVIDUAL E COLETIVA

 

            Nestes dias temos constatado a explosão de sentimentos e reivindicações de direitos inalienáveis ao ser humano: saúde, educação, habitação, honestidade, probidade administrativa dos homens públicos, a alteridade e outros mais.

            Jovens indignados com o encaminhamento da administração pública, em todos os seus níveis, acordaram, e de forma surpreendente, chamaram os pais, os avós, os professores e, evidentemente, os colegas, para irem às ruas em protestos.

            Entre eles infiltrou-se minoria de delinqüentes confessos ou aspirantes a desrespeitar a ordem, o patrimônio individual e coletivo.

            Surgem, então, duas vertentes: a indeclinável defesa dos direitos do cidadão à expressão do pensamento e de reivindicar aquilo que lhe é devido. Do outro lado, a exigir-se do Estado a preservação do patrimônio público e privado, e, acima de tudo, a integridade do ser humano contra a onda de vândalos e delinqüentes.

            Defrontamo-nos, então, com o exercício da liberdade, assegurado na Declaração dos Direitos Humanos, proclamada pela ONU e assegurada na Constituição Federativa do Brasil.

            A liberdade é fundamental à sociedade.

É  relevante,  significa o direito de ir e vir e termos possibilidades de ações individuais e coletivas que atendam às nossas necessidades, porém sem colidirem com o direito do outro; seja ele pessoa ou país.

            A Doutrina Espírita, em seu aspecto filosófico, analisa com propriedade esse direito em O Livro dos Espíritos, na sua 3ª Parte – Das Leis Morais, no capítulo: A Lei da Liberdade.

            Esclarece que a liberdade não pode ser exercida de forma absoluta.

            Allan Kardec formulou a indagação:

            “ –  Em que condições poderia o homem gozar a liberdade absoluta?

            A resposta dos Mentores Espirituais foi:

            “ – Nas dos eremitas no deserto. Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumprem respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de liberdade absoluta.” (1)

            A liberdade para ser exercitada de forma cada vez mais ampla depende da fraternidade  e da igualdade.

            Onde houver uma convivência fraterna exteriorizada em amor e respeito, acatando-se o direito do próximo, haverá a prática da justiça e consequentemente haverá a liberdade.

            Kardec comenta: “  A liberdade pressupõe confiança mútua. Ora,  não pode haver confiança entre pessoas  dominadas pelo sentimento exclusivista da personalidade. Não podendo cada uma satisfazer-se a si própria senão à custa de outrem, todas estarão constantemente em guarda umas com as outras.Sempre receosas de perderem o que chamam de seus direitos, a dominação constitui a condição mesma da existência de todas, pelo que armarão continuamente ciladas à liberdade e a coarctarão quando puderem. “ (2)

            Observamos como é importante desenvolver a liberdade nas formas individual e coletiva, pois ela implica em condição de crescimento dentro da vida. Por outro lado, dois grandes obstáculos impedem o exercício da liberdade: o egoísmo e o orgulho.

            É necessário combater o egoísmo em nós mesmos e na sociedade em que vivemos.

            Sem dúvida, é importante para o homem o desenvolvimento de sua capacidade de pensar, pois é através dela que ele poderá  conhecer-se  e o mundo em que vive.

            Pelo pensamento o homem desfruta de liberdade ilimitada, o que deverá ajudá-lo nesse conhecimento.

            Esse entendimento deve amparar-lhe a ação no sentido de, através da liberdade, desenvolver a fraternidade, a igualdade,  a justiça e o amor.

            A liberdade de consciência é uma característica da civilização em seu mais avançado estágio de progresso.

            “Todavia, é evidente que uma sociedade para manter o equilíbrio, a harmonia e o bem-estar precisa estabelecer  normas, lei e regulamentos portadores de sanções. A título de respeitar a liberdade de consciência não vai se admitir a propagação de idéias e doutrinas prejudiciais à sociedade. Nada se lhes deve opor através da violência e da forças, mas através dos princípios de direito.

            Para o Espiritismo, os meios fazem parte dos fins; não se pode pretender o amor, a justiça, a liberdade, agindo por meios violentos, odiosos, injustos e coativos.

            Esse conceito de liberdade deve levar-nos, pois, a ação de implantar o bem na sociedade em vivemos para que o mal gradativamente desapareça. Para isso é preciso atuar conscientemente, com amor e determinação.” (3)

            Essa, sem dúvida, a aspiração da maioria da sociedade brasileira neste momento histórico.

Bibliografia:

(1)   O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Ed. FEB, questão nº 826.

(2)   Obras Póstumas, Allan Kardec, Ed. FEB, cap. Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

(3)    O Espiritismo e a Política para a Nova Sociedade, Paiva, Aylton G.C., pág.87, Ed. Casa dos Espíritas.

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS




FEB EDITORA

BOLETIM EDITORIAL
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Captcha obrigatrio

BOLETIM INSTITUCIONAL
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Captcha obrigatrio

REVISTA REFORMADOR

Revista que aborda temas relacionados com Ciência, Filosofia e Religião à luz do Espiritismo e com o Movimento Espírita brasileiro e o internacional.

ASSINE