segunda-feira, 10/10/2016

Talentos e medo de falar em público¹

A Parábola dos Talentos, narrada por Jesus e registrada por Mateus (26:14-30), é rica em informações e dela podemos extrair inúmeras lições. Trata-se daquele Senhor que ia fazer longa viagem e deixa seus bens para administração de três servidores, concedendo ao primeiro cinco talentos, ao segundo, dois talentos e ao terceiro, um talento, conforme as respectivas competências. Quando o Senhor retorna, os dois primeiros restituíram os talentos sob sua guarda em dobro: o que havia recebido cinco, devolveu dez e o que recebeu dois, restituiu quatro. Mas, o que recebeu um talento, apenas um talento devolveu ao Senhor.

Para o nosso objeto de estudo, cabe-nos apreciar especificamente o versículo 25, cujo conteúdo explicativo da atitude do servidor que houvera recebido e devolvido um talento é o seguinte:

“Receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu”.

Observemos a primeira palavra e seu significado. O dicionário eletrônico Houaiss apresenta quatro acepções ao adjetivo receoso:

  • que tem receio, que hesita em fazer algo por temor das consequências; temeroso;
  • em que há receio;
  • que se mostra intimidado, pouco à vontade; tímido, acanhado, timorato;
  • que facilmente se amedronta; medroso, vacilante, irresoluto.

Para o vocábulo inseguro, Houaiss apresenta também quatro acepções. Duas delas mais nos interessam:

– sem confiança em si mesmo; titubeante, tímido, medroso;

– que tem dificuldade para tomar resoluções; hesitante, irresoluto, vacilante.

Foi, então, por receio, por medo, que o servidor enterrou o talento, não o desenvolvendo adequadamente para restituí-lo ao Senhor. Ele se sentiu inseguro: era, de fato, o que tinha menor capacidade entre os três, tanto que recebeu a menor porção. E agiu covardemente, não aplicando com acerto o recurso sob sua responsabilidade.

A parábola é uma metáfora que muito bem se pode aplicar à temática da oratória, mais especificamente ao medo de falar em público. Se nossa capacidade nesse quesito é limitada, mas se nos sentimos com possibilidade de desenvolvimento, não nos cabe coibir nosso potencial, enterrando-o por insegurança.

É possível superar a insegurança com o enfrentamento de nossos temores, considerando as seguintes providências: estudo aprofundado do tema a ser apresentado; pesquisa de informações adicionais ao conteúdo; conhecimento de técnicas de oratória; exercício para desenvolver a habilidade de falar em público; diminuição da ansiedade; redução da autoexigência quanto ao desempenho, da rigidez e da inflexibilidade.

Mesmo que a timidez teime em dominar o comportamento, impedindo-nos de agir com segurança, cabe-nos exercitar gradativamente a exposição pública para que o “fantasma” da baixa autoestima não nos impeça de fazermos o que é necessário.

A confiança de que não estamos sós, abandonados, desamparados pela Misericórdia Divina é um alento ao coração apreensivo quando estamos diante de uma tarefa de divulgação doutrinária pela “palavra falada”.

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¹ Texto extraído de CAMPETTI SOBRINHO, Geraldo; PEDROSA, Mônica Zarat. Como falar em público sem desencarnar de medo. Bauru, SP: CEAC, 2011.

SOBRE O AUTOR

Geraldo Campetti Sobrinho

Geraldo Campetti Sobrinho é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Responsável pela área de Divulgação Doutrinária, que contempla as seguintes unidades organizacionais: Reformador; Memória e Documentação; Comunicação; FEB Editora; e Comercial. Palestrante, escritor e apresentador dos programas Livros que Iluminam e Entre dois mundos: uma visão espírita da realidade, da FEBtv.

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