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É tempo de acolhimento (por Camila Louise)

Setembro passou e com ele se foi a campanha de mobilização nacional sobre a prevenção ao suicídio. Números alarmantes – como os 12 mil casos de suicídio por ano no País ou o fatídico “no mundo, uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos” – ressoam a importância de se trabalhar, amplamente, pela conscientização sobre as formas de prevenção. Mas, ainda que a campanha se encerre, é bom lembrar: é sempre tempo de se valorizar a vida!

Dentre os fatores de proteção, ou seja, fatores que reduzem o risco de suicídio, está a religiosidade, independente da afiliação religiosa. O compromisso religioso está correlacionado positivamente com o fator atração pela vida.

No entanto e apesar disso, a verdade é que os fiéis também adoecem.

Os espíritas inclusive. Mesmo aqueles que podem admitir professarem a fé raciocinada; mesmo os que reconhecem, por meio das comunicações espirituais, a continuidade da vida além da matéria; mesmo os que, por meio desses mesmos relatos, estão convencidos das dolorosas decepções que aguardam os que se lançam da vida por meio do autocídio; mesmo esses que estão racionalmente convencidos da ineficiência desse recurso como resolutiva para os dramas internos, por vezes, apercebem-se atormentados nos porões de sua individualidade.

Em sua luta interna e na busca por amparo, frequentemente, deparam-se com palestras espíritas envoltas em portentoso conhecimento doutrinário, mas que acabam carecendo de um pouco de acolhimento.

Se abordar essa temática é um desafio para quem fala, é ainda mais dolorosa para quem ouve e apresenta, em seu âmago, familiaridade com o assunto. Ouvir que lhe falta fé, por exemplo, apesar de potencialmente verdadeiro, pode se tornar mais uma carga que se soma em seu emaranhado de conflitos internos.  

Que nosso colo seja de afeto, amparando os irmãos em sofrimento na carne pelo argumento do patrimônio da imortalidade, presente do Pai que nos revela Sua imensa misericórdia.

Se o Espiritismo nos é tão valioso por nos descortinar as verdades de Deus, é ainda mais inestimável por nos ensinar a importância da caridade aos moldes do Mestre Jesus. Se nos demonstra a pertinência da fé elaborada sobre os pilares da razão, é por meio da solidariedade que conseguiremos honrar a fraternidade humana decorrente da paternidade divina.

São inúmeras as oportunidades em que nosso conhecimento doutrinário é útil e necessário! No entanto, nos momentos como os do Setembro Amarelo, de pandemia e isolamento social ou em qualquer instante em que a sensibilidade dita a tônica, é o Evangelho de Jesus que precisa imperar. É o Consolador prometido que fala ao nosso coração.

“Aliás, é pelo amparo recíproco que alcançaremos as expressões mais altas dos valores intelectivos e sentimentais”, disse Emmanuel.[i]

Amparemo-nos uns aos outros com empatia. Essa é a demanda primeira destacada pelo Espírito de Verdade. “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo”.[ii] É tempo de acolhimento.

[i] XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel.  29. ed. 11. impr. Brasília: FEB, 2020. Definição.

[ii] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Evandro Noleto. Brasília: FEB, 2019. Cap. 6, it. 5.