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Entrevista com Evandro Noleto: A tradução de uma obra basilar

Evandro Noleto, um dos tradutores de O livro dos médiuns, conta-nos sobre a experiência de trabalho nesta obra e como devemos proceder diante de mensagens e traduções questionáveis.

 

Comunicação FEB: Evandro, o que representa O livro dos médiuns?

Evandro Noleto: Segunda obra da Codificação Espírita, publicada pela primeira vez em 1861, O livro dos médiuns reúne o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade e as dificuldades e escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

            De leitura e consulta indispensável para os espíritas, será também valiosa fonte de conhecimento para qualquer pessoa que se interesse pelo fenômeno mediúnico, seja qual for a religião que professe, visto constituir o manual mais seguro para quantos se dedicam às atividades de comunicação com o Mundo Espiritual.

            O livro dos médiuns representa o mais completo tratado de Espiritismo experimental até hoje publicado, a fonte mais confiável de conhecimentos sobre a mediunidade, não ultrapassada até agora pelas demais obras dedicadas a tão palpitante assunto. Será sempre a fonte original, o manancial mais puro da qual emanam as demais obras, surgidas posteriormente, sobre o estudo e a prática da mediunidade.

 

Comunicação FEB: Como tradutor, como foi sua experiência de trabalho nesta obra?

Evandro Noleto: Muito enriquecedora. Traduzir um livro é estudá-lo profundamente, é deter-se em cada detalhe, é captar o espírito que se destaca da letra do texto. No caso desta obra da Codificação, foi mergulhar na psicosfera do Codificador, sentindo-o na sua grandeza de missionário revelador, com a satisfação íntima de ter contribuído para a divulgação da obra em língua portuguesa, como de resto aconteceu com os demais livros de Allan Kardec que vertemos para o português.

  

Comunicação FEB: Como começou o seu trabalho de tradução das obras da Codificação? Quais os maiores desafios encontrados?

Evandro Noleto: Em 2005 iniciei a tradução de O livro dos espíritos, estimulado pelo então presidente da FEB, Nestor João Masotti, que, em conversa conosco, ponderou sobre a necessidade de dispor, a Casa de Ismael, de uma nova versão das obras de Allan Kardec, vazada em linguagem mais atualizada, a qual, embora preservando a correção da língua portuguesa e mantendo absoluta fidelidade ao texto original francês, fosse de mais fácil assimilação pelos leitores, muitos dos quais presentemente encontrando dificuldade na compreensão de certas palavras e expressões, justamente por não dominarem o estilo erudito adotado anteriormente pelos tradutores.

          Desde então ficou certo que a FEB adotaria e editaria, simultaneamente, a minha e a clássica tradução de Guillon Ribeiro, dando ao leitor a liberdade de escolher a que melhor satisfizesse às suas necessidades. O mesmo critério foi obedecido na tradução das demais obras da Codificação, que se seguiram a O livro dos espíritos.

          Além das cinco obras básicas de Allan Kardec, também traduzimos as seguintes, todas publicadas pela FEB Editora: Revista espírita (1858 a 1869); Obras póstumas; O que é o espiritismo; O espiritismo na sua expressão mais simples; Viagem espírita em 1862 (e outras viagens de Kardec); Instruções práticas sobre as manifestações espíritas, livro histórico que antecedeu a O livro dos médiuns; Biografia de Allan Kardec, de Henri Sausse, além das edições históricas das primeiras edições francesas de O livro dos espíritos, Imitação do evangelho segundo o espiritismo e A gênese, oferecendo ao leitor a oportunidade de confrontar os textos traduzidos em português com os seus originais em francês.

          Foi um trabalho desafiador, dado o seu volume – mais de dez mil páginas originais! – e também em face da responsabilidade e da emoção de estar vertendo para a nossa língua os ensinamentos libertadores que nos foram revelados pelos Imortais.

 

Comunicação FEB: Em tempos de notícias falsas, como o verdadeiro espírita deve se posicionar diante de textos, mensagens e traduções questionáveis?

Evandro Noleto: Seja qual for a notícia que nos transmitam, ou diante de mensagens mediúnicas atribuídas a este ou àquele nome venerado, que, nestes tempos de pandemia, proliferam assustadoramente nas mídias sociais, devemos lançar mão dos mesmos critérios arrolados por Allan Kardec no capítulo XXIV de O livro dos médiuns, por ser o roteiro mais seguro de que dispomos para separar o joio do trigo.

           Ali o Codificador, entre outras instruções, destaca que os Espíritos, como sucede também com os homens, devem ser julgados e, portanto, reconhecidos, pela linguagem de que se servem, por guardar, a sua fala, relação estreita com o grau de elevação a que já tenham chegado, revelando sempre a sua origem, seja pelos pensamentos que traduz, seja pela forma de que se acha revestida. Em suma, não há outro critério para discernir o valor das notícias ou das mensagens mediúnicas senão o bom senso, já que os homens de bem e os Espíritos evoluídos só podem dizer e fazer o bem, de modo que tudo o que é mal só pode provir de fonte má.

          Especial atenção deve ser dada a notícias ou mensagens que predizem o futuro, seja ele venturoso ou não, falando com precisão de fatos materiais que não podemos conhecer, bem como da cura de doenças que a Ciência ainda não dominou, as quais devem ser encaradas com cautela e muita reserva. Por quê? Porque os Espíritos maus, falando tudo com firmeza enganosa e transmitindo falsa segurança, jamais se preocupam com a verdade, propagando muitas vezes notórias heresias científicas que podem confundir os incautos, diferentemente do que ocorre com os Espíritos bons, que só dizem o que sabem e se calam ou confessam ignorância diante do que desconhecem.

         Toda previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício claro de mistificação. Daí a importância do estudo regular do Espiritismo, por nos facultar ferramentas adequadas para bem discernirmos a verdade do erro.