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O sofrimento

Divaldo Franco
Professor, médium e conferencista
 
Na atualidade, talvez mais do que em outros períodos da sociedade, o sofrimento parece tomar parte em todos atos e aspirações humanos, tornando-se um elemento de séria perturbação ao processo evolutivo.
Quando se começam a delinear os traços básicos de qualquer planejamento, pensa-se a respeito do sofrimento que advirá da audaciosa realização e gasta-se muito tempo nas tentativas de anular-lhe a presença. Não acostumado aos investimentos novos e às suas exigências, o candidato às mudanças que devem acontecer espera imediata adesão das demais pessoas, o que não ocorre, e sofre com as reações que se apresentam mesmo antes de serem postos em prática os primeiros projetos. O mesmo ocorre com os idealistas acostumados às lutas ante o impositivo do progresso e das construções contínuas do conhecimento. O caráter da maioria das pessoas, inseguro e atado a valores de perturbação, parece armado contra tudo que é novo e que sacode a preguiça ou a vaidade maldisfarçada, em que se refugia para nada fazer de bem…
Siddharta Gautama, o Buda, foi um dos primeiros pensadores a deter-se no estudo desse comportamento, criando as “quatro regras de ouro” que constituem alicerce filosófico da sua doutrina.
Tudo é sofrimento, afirma o apóstolo da busca interior para a felicidade. O sofrimento que deflui do sofrimento, que são as consequências não superadas das aflições que se padece no transcorrer da existência; as causas do sofrimento, as razões que dão força para a luta e, por fim, como libertar-se do sofrimento, caminho que leva à cessação do sofrimento.
Toda a Doutrina de Jesus, o Mártir da Cruz, é o esforço para superar ou evitar o sofrimento mediante as ações beneméritas do Amor em todas as suas expressões.
Porque a criatura humana prefere o prazer, o agradável das sensações mesmo que perniciosas, o sofrimento é a consequência inevitável da escolha e se instala até quando se resolve por trilhar o caminho que conduz à sua cessação.
Esse esforço é ingente e penoso, e ninguém logra o bem-estar, a plenitude existencial, sem o contributo do sofrimento gerador do sofrimento.
Buda propõe oito regras de retidão para evitar-se o sofrimento, denominadas Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.
Jesus sintetizou todas as diretrizes que impedem a presença do sofrimento ou a libertação dele através do amor, que responde por todas as necessidades existentes e se fortalece na execução do programa da verdade e da vida.
…E o Espiritismo completa informando que se trata da Lei de Causa e Efeito, decorrência de tudo quanto se faz.
 
Artigo publicado no jornal A Tarde (Bahia), coluna Opinião, em 12 de novembro de 2020.